A primeira aventura de Amaral fora do Sporting foi nos viriatos por empréstimo. Voltaria aos verdes e brancos para mais cinco anos de leão ao peito - Foto: A BOLA
A primeira aventura de Amaral fora do Sporting foi nos viriatos por empréstimo. Voltaria aos verdes e brancos para mais cinco anos de leão ao peito - Foto: A BOLA

Jogou no Benfica e Ac. Viseu, foi campeão do Mundo e hoje é taxista em Almada

Amaral jogou nos beirões em 1988/89, emprestado pelo Sporting. Seis anos depois assinou pelo Benfica. O antigo avançado recorda, em entrevista A BOLA, a última temporada dos viriatos nos grandes palcos. Academistas e encarnados não se cruzaram desde então

18 de setembro de 1988: a data do último confronto entre Benfica e Académico de Viseu para a Liga, no Estádio da Luz. Praticamente 38 anos depois, os dois emblemas vão voltar a encontrar-se no mesmo contexto no anfiteatro dos lisboetas (desta feita, no novo). 

Quem esteve no duelo supramencionado, que terminou com o triunfo (4-0) dos encarnados, foi Amaral. Passou pelos viriatos em 1988/89, emprestado pelo Sporting. Curiosamente, passados seis anos (1994/95), o avançado assinaria pelas águias. «Fomos duas horas antes e foi um privilégio para todos jogar e estar dentro do campo, a desfrutar do relvado, porque a maioria nunca tinham entrado sequer no Estádio da Luz.»

Mesmo tendo apenas 18 anos, Amaral era dos únicos daquela equipa que já tinha atuado na Luz, quando estava nas camadas jovens e reservas dos leões: «Tínhamos muitos jogadores que vinham da segunda divisão e os cabo-verdianos José e Alexandre Alhinho, que eram os mais experientes, também já sabiam o que era jogar ali.»

Esse encontro correu mal para os beirões, em especial, no capítulo sobre o qual tinham dedicado a maior parte da semana anterior a treinar: «Tínhamos uma estratégia bem definida e trabalhámos muito a questão das bolas paradas, mas acabámos por claudicar na mesma. Essa valia do Benfica era muito evidente e, às vezes, quanto mais se treina pior é [risos].»

Amaral fez 14 jogos ao serviço do Benfica, em 1994/95, tendo somado um golo e uma assistência - Foto: A BOLA

O jogo da segunda volta, em Viseu, em fevereiro de 1989 (esse, sim, o último de que há registo entre os dois clubes), correu muito melhor para os academistas, que estiveram a poucos minutos de fazer o pleno de invencibilidade diantes dos três grandes no Estádio do Fontelo: FC Porto (2-2), Sporting (0-0) e frente ao Benfica (0-1) sofreram aos 90’. «Foi bastante renhido. Também tivemos boas oportunidades para fazer golo e já quase a acabar o Benfica marcou.»

Os viseenses desceram de divisão e, até agora, não mais voltaram ao principal escalão do futebol nacional: «O que faltou? Não tínhamos a quantidade e qualidade que deveríamos, o que era normal até pela questão do investimento do clube, que tinha acabado de subir de divisão e não tinha capacidade financeira para ir buscar melhores jogadores, além de que alguns deles eram emprestados pelos grandes: eu, o Leal, o Melo...»

«Com o tempo, fomos abaixo e não conseguimos o objetivo. Também mudou o treinador cedo, o que não ajudou. Éramos uma equipa com pouca experiência para a primeira divisão», acrescenta, lembrando que terminou a época como campeão do Mundo de sub-20 por Portugal, na Arábia Saudita.

Trocou o táxi pelo futebol

Seis anos depois de ter pendurado as botas (em 2005, no Beira-Mar de Monte Gordo), Amaral iniciou a profissão de taxista em Almada em 2011: «Nunca pensei ficar por aqui, mas estive quatro ou cinco anos como empregado numa empresa que tem vários táxis e depois comprei o meu próprio carro e fiquei proprietário e gerente.»

Entretanto, o antigo jogador treinou o Seixal, Peniche, Fabril, Real Massamá e Pescadores da Costa da Caparica, mas, em 2016, deixou, em definitivo, o futebol e dedicou-se só ao táxi: «Não dá para tudo. As ofertas que tive para voltar a treinar não compensavam e não ia deixar uma coisa que era minha e que estava segura para estar a treinar à noite e, depois, chegar a casa sempre tarde, para me levantar cedo no dia seguinte para trabalhar no táxi. Acabei por não aceitar mais nenhum projeto e deixei-me nesta minha vida.»

Amaral com cartoonista de A BOLA, Ricardo Galvão, em 2009 - Foto: A BOLA

Apesar de estar longe do futebol, a antiga glória, de 56 anos, garante continuar a acompanhar o Académico, «como todas as equipas» por onde passou. Sobre os viriatos, considera que a atual realidade é diferente do que aquela que encontrou há quase quatro décadas: «Há agora muito mais condições para o clube conseguir manter-se na Liga. O investimento é totalmente diferente.»

Amaral admite que a formação das Beiras terá sempre um lugar especial no coração. Aliás, já assim o era quando lá chegou, com 18 anos: «O meu falecido pai era natural de Viseu e na altura foi uma grande alegria ter o filho a representar o clube da terra onde nasceu.»

«Foi a minha primeira experiência de sénior, fiz muitos amigos e ainda nos falamos de vez em quando. Até estou em falta com eles, porque lhes prometi ir passar lá um dia. Essas são as melhores recordações que tenho de Viseu. Além disso, é uma cidade muito agradável e gostei muito de lá ter estado um ano a jogar», finaliza.

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