Marco Silva relativizou impacto das conferências de imprensa na motivação do plantel

Marco Silva não teve cuidado (e ainda bem)

Um elogio à conferência de imprensa do treinador do Benfica em Rio Maior e uma reflexão sobre as ideias assumidas pelo próprio, o que ajuda sempre a compreender melhor as opções

Marco Silva ainda brincou, no rescaldo da goleada ao Casa Pia, ao dizer que precisava ter cuidado com o que dizia, mas a conferência de imprensa de anteontem foi a prova de que vale a pena ter uma comunicação «honesta e aberta».

É verdade que fica sempre mais fácil falar depois de uma goleada por 7-0, mas o treinador do Benfica não muda propriamente o discurso consoante o resultado. Claro que nem tudo se diz publicamente, e que a seguir a uma escorregadela há menos vontade de falar, mas é de louvar que Marco Silva — que também não está imune a dias menos felizes — tenha estado 20 minutos a dissertar abertamente sobre as ideias que tem para a equipa.

E não foi apenas para explicar a reação ao lance em que Lukebakio adormeceu em posição irregular, no flanco direito, ou admitir que também «não estaria com boa cara» se tivesse perdido a titularidade como Trubin.

Marco não escondeu que o zero do Casa Pia no marcador foi tão ou mais importante do que o sete do Benfica. Está à vista de todos que a equipa, ao dia de hoje, dá mais garantias ofensiva do que defensivamente. A responsabilidade é coletiva, mas é indiscutível que a qualidade e quantidade de opções é mais limitada à retaguarda. «Temos de trabalhar sem bola, os alas andarem para a frente e para a trás», disse o técnico, que vê melhorias na reação à perda de bola mas sabe que é no ataque que está mais descansado, como comprovou o jogo de Rio Maior.

É preciso ver, em todo o caso, até onde vai o voto de confiança em Sudakov. Marco não esconde que é o jogador com o perfil mais próximo daquilo que pretende para o terceiro médio, e que a equipa até o tem servido nas costas da linha média, mas depois falta criatividade e decisão ao ucraniano, como se viu naquele penálti em andamento com o Casa Pia, para o qual André Gomes não devia ter defesa possível. Rafa e Prestianni são vistos pelo técnico como aceleradores, embora o argentino seja descrito como «o mais versátil» dos desequilibradores. Tem sido o melhor, a par de Pavlidis, mas talvez seja preciso tirar proveito dessa versatilidade para abrir espaço a Schjelderup, mais merecedor dessa oportunidade do que propriamente Lukebakio, tendo em conta o rendimento da época passada.

O tempo ajustará os planos iniciais de Marco Silva, sem esquecer que o mercado de transferências está aberto até 4 de setembro. Para já o treinador do Benfica não está a ter cuidado nas conferências. Ainda bem.

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