Rui Costa faz bem em ter paciência... mas há limites

'Remate de Letra' é o espaço de opinião quinzenal de Hugo Vasconcelos, editor

Irá haver mais algumas saídas e algumas entradas, e estamos a trabalhar nisso da mesma maneira que estamos a trabalhar na questão do central: que é escolher bem e não rápido

Rui Costa, presidente do Benfica, antes da partida para a Escócia

Rui Costa, presidente do Benfica, falou aos jornalistas ontem, antes da partida da equipa para a Escócia, e abordou vários temas, entre eles o mercado. Para, basicamente, tentar tranquilizar os adeptos, garantindo que as águias estão ativamente a procurar reforços, mas que não querem precipitar-se e contratar o jogador errado.

A mensagem faz sentido. Já vimos que às vezes vale mais esperar pelo jogador que se tem a certeza que encaixa, nem que sejam precisos um ou dois meses de negociações (Gyokeres para o Sporting é um exemplo), do que avançar para alguém só para se dizer que se contratou.

Mas a paciência deve ter limites. Porque à medida que as semanas passam e o jogador não chega, a pressão de adeptos e treinadores leva muitas vezes a más decisões. Na época passada, o Benfica contratou dois jogadores em cima do fecho de mercado: Sudakov, por 27 milhões de euros mais 5 de bónus; e Lukebakio, por 20 milhões mais 4. Menos de um ano depois, não tenho dúvidas de que, em ambos os casos, voltaria atrás se pudesse.

A paciência só pode ser ilimitada se um clube estiver disposto a esperar por um jogador até para lá do fecho do mercado — e Rui Costa até sabe bem o que isso é, porque em 2022 contratou Enzo Fernández sem saber se ele chegaria no fim de agosto ou só no início do ano seguinte. Foi um dos melhores negócios de sempre do clube.

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