Medalha de prata no snowboard não dá prémio a Zoi Sadowski. IMAGO
Medalha de prata no snowboard não dá prémio a Zoi Sadowski. IMAGO

Quanto vale o ouro olímpico? Os prémios milionários e os forretas

A lista divulgada pela Forbes mostra que Portugal também tem reservado um prémio, caso algum dos três atletas nacionais presentes no evento consiga alcançar o primeiro lugar do pódio. E se o prémio para os polacos é o mais atraente, já os neozelandeses estão no último lugar da tabela! Mas ainda há pior e quem não receba qualquer cêntimo

Uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, composta por seis gramas de ouro e 500 gramas de prata, tem um valor material de cerca de 2.000 euros, contudo, para os atletas de determinados países, o seu valor financeiro é exponencialmente maior. Uma investigação junto dos comités olímpicos nacionais e ministérios do desporto dos 92 países e territórios participantes confirmou que pelo menos 37 deles oferecem prémios monetários aos seus medalhados.

Mas uma medalha de ouro individual varia drasticamente. E se os atletas de Singapura podem sonhar com 661 mil euros na conta, se conquistarem um título olímpico, já os neozelandeses nem podem pagar a viagem de regresso a casa.

O top-cinco dos mais ricos fica completo com Hong Kong (644.000), Polónia (277.000), Cazaquistão (250 mil) e Itália (178.000). No total, 13 países e territórios garantem um prémio de, no mínimo, 100 mil dólares, cerca de 84 mil euros, a cada atleta que suba ao lugar mais alto do pódio, ainda que delegações como Bósnia e Herzegovina, Macedónia do Norte e Roménia ainda não tenham definido os montantes.

O Luxemburgo, por seu lado, decidiu manter a confidencialidade sobre o valor dos prémios dos seus atletas, enquanto a Forbes mostra que Portugal está ao nível da Finlândia, reservando para cada um dos atletas cerca de 49 mil euros. Contudo, no caso dos finlandeses, a compensação está limitada a cerca de 100 mil euros, o equivalente a dois prémios por ouro individual.

Estes bónus são adicionais a outros apoios, como bolsas de treino, subsídios, seguros de saúde e outras ajudas de custo. Nos Estados Unidos, por exemplo, uma nova iniciativa garante 90 mil euros para a reforma de cada atleta olímpico e paralímpico, independentemente do resultado, graças a uma doação do fundador do Stone Ridge Holdings Group. Por cada medalha nos Jogos2026, os americanos recebem 30 mil euros.

Na Croácia, os medalhados de ouro passam a receber, a partir dos 55 anos, um subsídio mensal vitalício equivalente ao salário médio nacional, atualmente cerca de 1.300 euros, e na Macedónia do Norte recebem uma pensão vitalícia, que para o ouro é de 1.100 euros mensais.

Em alguns casos, os prémios estendem-se para lá do pódio. Chipre, por exemplo, oferece 148.000 euros por uma medalha de ouro, mas um quarto lugar ainda vale cerca de 78 mil euros e até um 16.º lugar pode render 10.000.

No final da tabela surge a Nova Zelândia, com um prémio de 2500 euros para os medalhados de ouro que não vem do comité olímpico ou do governo, mas sim do patrocinador de equipamentos da equipa, a Kathmandu.

Contas feitas, o melhor prémio é mesmo capaz de ser o da Polónia.

Os atletas polacos que conquistem o ouro têm direito a um pacote de prémios particularmente generoso: além de cerca de 176 mil euros em dinheiro e outros valores do Comité Olímpico Polaco, recebem um Toyota Corolla, um apartamento de dois quartos mobilado, uma pintura, um voucher de férias e joias no valor até 650 dólares.

Contudo, nem todos os países são tão generosos. A Irlanda e a Grã-Bretanha, por exemplo, não oferecem bónus diretamente ligados ao desempenho, para além do financiamento geral já disponível para os seus atletas de elite.