Morita e Froholdt em duelo no último clássico entre FC Porto e Sporting, no Dragão - Foto: Miguel Lemos/IMAGO
Morita e Froholdt em duelo no último clássico entre FC Porto e Sporting, no Dragão - Foto: Miguel Lemos/IMAGO

Demasiado respeito pelos tanques de Farioli

Perfil muito atlético do FC Porto obrigou Mourinho e Rui Borges a cautelas, mas ao dragão falta imprevisibilidade. E assim todos se anulam uns aos outros. Mau para o espetáculo

Nem sempre o que adeptos, imprensa ou analistas gostam é o mesmo que agrada aos treinadores. Os sportinguistas (e não só…), a precisar de vencer no Dragão para reduzir a distância para apenas um ponto do rival, desejariam ter visto a sua equipa assumir um risco maior de modo a aproveitar o seu enorme potencial ofensivo – é indiscutivelmente a equipa mais perigosa no último terço em Portugal – mas Rui Borges preferiu jogar pelo seguro. Afinal, tinha-se dado mal na primeira volta em Alvalade (perdeu por 1-2) e o FC Porto contava até à data com oito vitórias e um empate (Benfica) em nove partidas no Dragão para a Liga.

Entende-se a decisão do ponto de vista da racionalidade. Em primeiro lugar, porque ainda falta muito campeonato para jogar; em segundo, porque o dragão de Francesco Farioli torna-se ainda mais venenoso quando um adversário se expõe demasiado. Não que seja uma equipa formatada só para transições, isso seria ofensivamente redutor, mas é notório que o FC Porto se tornou mais conservador à medida que foi aumentando a vantagem para os seus rivais, não sendo poucas as vezes em que se vê a equipa a jogar com linhas recuadas seja contra quem for.

Cada treinador tem o seu estilo e Farioli está a dar-se bem com as suas ideias. Mas quando somos convidados a pensar numa única palavra que defina esta equipa, só me vêm à cabeça termos relacionados com aspetos de ordem atlética – a famosa «fisicalidade» que o toscano tanto apregoa, que é com quem diz que este FC Porto corre mais que todos os outros e executa com régua e esquadro as várias jogadas-padrão. Mas há algo que falta, e que mais se nota nas partidas frente aos grandes, incluindo SC Braga: imprevisibilidade. E parece que só dois jogadores estão autorizados a pensar fora da caixa: Gabri Veiga e Rodrigo Mora – e apenas à vez. Não por acaso, tanto no clássico com o Benfica como diante dos bicampeões foi o prodígio português o responsável pela construção dos lances mais perigosos: bola à barra diante das águias e início do lance que resultou no golo de Fofana com os leões.

Agora que perdeu Samu por lesão, um ponta de lança que é a máxima representação da robustez, será interessante perceber até que ponto Farioli não terá de puxar mais pela criatividade de Mora num plantel construído (no verão) e retocado (no inverno) com jogadores cujo perfil é o mesmo: tanques. Impõem respeito – é por isso que nem Benfica nem Sporting ousaram passar-lhes por cima – mas não são proporcionalmente esmagadores. Daí que tenhamos assistido a dois clássicos com o mesmo denominador comum: todos tiveram medo uns dos outros.

ELEVADOR DA BOLA

A SUBIR

Anísio Cabral, ponta de lança do Benfica

Não foram apenas dois golos, foram dois gestos de cabeça que não vemos em mais nenhum jogador do Benfica a exceção de Pavlidis. É importante que o futebol português produza goleadores. O pós-Ronaldo está aí à porta.

ESTACIONADO

Bruno Vicintin, acionista maioritário do Santa Clara

Bruno Vicintin já terá conseguido o que queria (dinheiro do Governo dos Açores) mas a ameaça de sair para o Continente e fundir-se com outro clube ficou no ar. Quando o Vilafranquense se muda para a Vila das Aves, tudo passa a ser possível.

A DESCER

André Villas-Boas, presidente do FC Porto

Prometeu trazer novos ares, mas das duas uma: ou os funcionários não respeitam as suas diretrizes e têm rédea solta no controlo do ar condicionado, TV ou dos apanha-bolas, ou então há uma tentativa de recuperação de práticas que cheiram a mofo. Qual delas a pior.