«Traição»: ucraniano reage à proibição de usar capacete em homenagem a sete atletas mortos
Vladyslav Heraskevych, atleta ucraniano de skeleton, acusou os responsáveis olímpicos de «traição» depois de ter sido proibido de competir com um capacete que homenageia compatriotas mortos desde a invasão russa em 2022. O atleta, que foi o porta-estandarte do seu país na cerimónia de abertura, treinou-se na segunda-feira com o capacete, revelando que alguns dos homenageados eram seus amigos.
A controvérsia surgiu quando um oficial do Comité Olímpico Internacional (COI) visitou Heraskevych na aldeia dos atletas para o informar de que o capacete violava as regras dos Jogos relativas a declarações políticas. Em alternativa, o COI permitiu que o atleta competisse com uma braçadeira preta e que se pronunciasse livremente nas conferências de imprensa.
Numa publicação no Instagram, o atleta de 26 anos expressou a sua desilusão. «O COI proibiu o uso do meu capacete nos treinos oficiais e nas competições», escreveu. «Uma decisão que simplesmente me parte o coração. O sentimento é que o COI está a trair os atletas que fizeram parte do movimento olímpico, não permitindo que sejam homenageados na arena desportiva onde nunca mais poderão competir.»
14-year-old athlete Alina Perehudova and her mother died in Mariupol as a result of shelling by Russian occupation forces, the local city council reported.
— Hromadske Int. (@Hromadske) April 29, 2022
At her age, the girl already achieved considerable success in weightlifting (national gold) & had high hopes for the future pic.twitter.com/DnC6GoLQ1Y
O capacete de Heraskevych exibia imagens de vários desportistas ucranianos falecidos, incluindo a halterofilista Alina Perehudova, o pugilista Pavlo Ischenko, o jogador de hóquei no gelo Oleksiy Loginov, o ator e atleta Ivan Kononenko, o atleta e treinador de saltos para a água Mykyta Kozubenko, o atirador Oleksiy Habarov e a dançarina Daria Kurdel.
This is Oleksandr Koloniuk. Before invasion, he was one of the rising hockey players. He died in 2023 defending 🇺🇦, aged only 19.
— Tribuna.com Україна (@tribunaua) February 8, 2026
He is one of many athletes who could've made it to Milan if 🇷🇺 didn't kill them. But @TheAthletic doesn't ask no one what a 🇺🇦 team would look like https://t.co/HCj3fUxfEl pic.twitter.com/Y0iR1c8sK3
Recorde-se que esta não é a primeira vez que Heraskevych utiliza o palco olímpico para protestar. Nos Jogos de Pequim 2022, dias antes do início da ofensiva russa, exibiu um cartaz com a mensagem «Não à Guerra na Ucrânia». O atleta comparou a reação do COI na altura com a atual, notando uma mudança de postura.
«Há quatro anos, nos Jogos Olímpicos de 2022. Infelizmente, ao longo destes anos, este apelo à paz tornou-se ainda mais relevante», comentou Heraskevych na rede social X, acrescentando: «O COI mudou drasticamente. Naquela altura, viram naquela ação um apelo à paz e não me aplicaram quaisquer sanções. Agora, nos Jogos Olímpicos, já vimos um grande número de bandeiras russas nas bancadas, no capacete de um dos atletas – e para o COI, isto não é uma violação.»
I race for them / Я змагаюсь за них ❤️🩹
— Vladyslav Heraskevych OLY (@heraskevych) February 9, 2026
Сьогодні розкажу про шолом, в якому я збираюсь виступати на Олімпійських іграх вже через кілька днів. На шоломі намальовані спортсмени які були вбиті під час війни, а точніше лише маленька їх частина.
Це несправедливо, й ці люди не мали б… pic.twitter.com/Gra2g42cgy
O atleta concluiu a sua crítica, afirmando que «foi encontrada uma violação no 'capacete da memória', que presta homenagem a membros da família desportiva ucraniana que foram mortos desde os últimos Jogos Olímpicos. A verdade está do nosso lado. Espero uma decisão final justa por parte do COI.»
A decisão do COI surge num momento em que a organização enfrenta críticas por uma aparente flexibilização da sua posição em relação à Rússia. A presidente do COI, Kirsty Coventry, sugeriu recentemente que o exílio do país poderia ser levantado. Nos atuais Jogos, competem 13 atletas russos e sete bielorrussos sob estatuto neutro.
O grupo de defesa Global Athlete criticou a posição do COI numa carta aberta, onde se pode ler: «A agressão da Rússia contra a Ucrânia apenas se intensificou desde 2022. O facto de o COI estar a aliviar as restrições contra a Rússia sugere que, mesmo sob a nova presidência de Kirsty Coventry, continua a ser influenciado pelas mesmas forças políticas das quais afirma distanciar-se.»