«Mérito é todo dos jogadores: tentaremos fazer história juntos»
— Estamos em pleno balneário dos sub-21. Que relação fomenta com os seus meninos neste espaço?
— Nós temos três estágios. Não são 30 dias mais ou menos espaçados no tempo, mas eles de certeza que já perceberam que têm aqui alguém que gosta de ser próximo. Acredito que quanto mais e melhor nos conhecermos e quanto mais fomentada estiver a nossa relação, mais fortes vamos ser no futuro. Este conhecimento do jogador é importante, na minha visão como líder. Também acho que é importante perceber como é que eles são, quem é que são. E então é neste misto de muita proximidade, de um espaço alegre, que queremos desenvolver futebol, queremos ser alegres com o que mais gostamos de fazer, mas depois um espaço de compromisso, de relação muito séria com o espaço de seleção para os preparar para a exigência de uma seleção.
— Teve uma entrada a todo o gás nos jogos de qualificação: cinco jogos, quatro vitórias e um empate, com 21 golos marcados e nenhum sofrido. Nem nos melhores sonhos...
— Queremos sempre mais. Fico contente de em pouco tempo termos conseguido passar as ideias e colocarmos os jogadores a combinarem dentro do campo de forma efetiva e a darem o máximo. Isso é uma exigência nossa. Não vamos sempre ganhar todos os jogos, temos essa consciência, mas acredito que isso vai ser decisivo ao longo do caminho. Porque no Europeu vamos ter adversários de calibre também bastante elevado.
— Há cerca de cinco anos que um selecionador de sub-21 não estava cinco jogos consecutivos sem sofrer golos.
— É o trabalho dos jogadores. São eles que têm o mérito de conseguirem interpretar em pouco tempo. Têm que ter qualidade e depois têm que estar extremamente empenhados para conseguir executar. Portanto, através dos jogadores, nós estamos a tentar ao máximo que a ideia se adapte e que não seja estanque. Os jogadores têm tido o mérito de fazer esta qualificação até agora exemplar a nível defensivo, mas também porque a equipa ataca muito e é compacta. É todo um trabalho coletivo. Tentaremos fazer mais história juntos.
— Os 5-0 ao Azerbaijão, no seu primeiro jogo, significaram a melhor estreia de sempre de um selecionador de sub-21. Orgulhoso?
— Por acaso reparei nisso e até partilhámos com os jogadores. Mesmo com Gibraltar foi um resultado fora do normal [11-0]. Igualámos, penso, o recorde de golos marcados num jogo. Isso tem a ver com a nossa fome de jogar, de querer ganhar, de não estarmos satisfeitos, de aproveitarmos todos os minutos ao serviço da seleção.
— Já utilizou mais de 30 jogadores nesta fase de qualificação. É uma porta aberta para todos?
— Faz parte do trabalho de prospeção. Temos um grupo de jogadores que acompanhamos dividido por várias listas. Temos acesso a muita coisa. Há esse trabalho de equipa na perspetiva de observação e tomada de decisão, com a equipa A com e como prioridade máxima.
— Rodrigo Mora, Gustavo Sá, Quenda, Gustavo Varela, Diogo Travassos, citando só alguns, já brilham na Liga. É muito talento...
— Temos muito talento, sim. Há um contexto muito alto em algumas posições, onde estamos ao nível dos melhores da Europa, até pelo contexto onde esses e outros jogadores estão atualmente inseridos. No entanto, temos, FPF e clubes, de melhorar as condições para que haja maior aposta no jovem jogador português, garantindo-lhe o presente e o futuro, bem como o da Seleção A.
— Além da qualidade e do rendimento, que outros fatores têm peso quando faz as convocatórias?
— Há uma parte técnica de rendimento, claro, e depois há uma avaliação de tudo o que é feito nos clubes e na seleção. E o espírito de balneário também é uma das peças fundamentais para que se construa um grupo com uma crença muito grande. O nosso espaço não é um espaço qualquer. É preciso ter a personalidade certa para representar Portugal. Só o talento pode não chegar.
— Podemos anunciar aos portugueses a candidatura ao título?
— Para se ganhar é preciso perceber que há um percurso grande. O objetivo é ganhar no final. São também importantes a confiança e a crença, bem como saber bem o caminho que temos a percorrer. O que posso garantir é que estamos muito motivados para ganhar.
Invencibilidade leva oito meses
O contexto mudou, Luís Freire passou de treinador de clubes para selecionador nacional, mas factos são factos: já lá vão mais de oito meses desde que o técnico sofreu a última derrota.
Sabe contra quem foi, questionámos. «Possivelmente com o Sporting», respondeu. Em cheio, mister. Um dissabor registado a 17 de maio de 2025, quando Luís Freire estava ao leme do Vitória de Guimarães. Nessa data, jogava-se a 34.ª e última ronda do campeonato da época 2024/2025 e os conquistadores baquearam em Alvalade. Pedro Gonçalves e Viktor Gyokeres apontaram os golos dos verdes e brancos.
Até onde pode chegar, afinal, a invencibilidade de Luís Freire? A resposta surge na primeira pessoa. Mas com louros distribuídos. «Percebo a pergunta. Temos cinco jogos na seleção e ainda não há derrotas, mas isso, como eu disse, é mérito do trabalho da equipa e de quem está à volta da equipa. Do staff também. Como eu disse, o [Daniel] Carriço tem tentado ao máximo dar-nos todo o apoio, mas é um trabalho de equipa, portanto são cinco jogos», apontou, sem rodeios.
Não há nenhum treinador do mundo que possa dizer que nunca perdeu qualquer jogo, pelo que o registo, ainda que altamente meritório, é apenas isso: um registo. Sendo que conseguir prolongar ao máximo esta tendência potenciará, naturalmente, todo o sucesso desejado. Olhar para trás com orgulho, sim, mas sem deixar de pensar no presente e no futuro com a mesma responsabilidade de sempre. Luís Freire acerca-se do seu pragmatismo e estica o horizonte:
«Queremos ao máximo não perder, porque, afinal, isso é um sinal de que estamos a atingir objetivos. Ainda não sofremos golos e, assim sendo, estamos sempre mais perto de ganhar.»