Bad Bunny no intervalo do Super Bowl: cultura latino-americana destacada com referências a todos os países americanos, do Chile ao Canadá
Bad Bunny no intervalo do Super Bowl: cultura latino-americana destacada com referências a todos os países americanos, do Chile ao Canadá

Republicanos pedem prisão para Bad Bunny por causa da atuação no Super Bowl

Congressistas consideram que a atuação do porto-riquenho continha linguagem imprópria e atos pornográficos

A atuação de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl está a causar uma onda de indignação entre os congressistas republicanos, que pedem à Comissão Federal de Comunicações (FCC) a aplicação de multas e até a detenção do artista, assim como dos executivos da NFL e NBC. Em causa estão as letras das músicas e a coreografia, consideradas uma «depravação indizível».

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Randy Fine pediu à FCC para tomar «medidas drásticas». Numa publicação nas redes sociais, Fine defendeu que a apresentação foi ilegal por incluir palavras que, traduzidas para inglês, como «pénis» e «rabo», violam as regras da televisão de sinal aberto.

«Pedimos multas e revisão das licenças de transmissão da NFL, da NBC e de Bad Bunny. Prendam-nos», escreveu, acusando o espetáculo de conter «porcaria pornográfica repugnante».

A esta voz juntou-se a de Andy Ogles, congressista do Tennessee, que formalizou o pedido de uma investigação à NFL e à NBC por «facilitarem a transmissão indecente». Numa carta enviada à Comissão de Energia e Comércio da Câmara dos Representantes, Ogles argumentou que a música do artista porto-riquenho «glorifica a sodomia e outras depravações indizíveis».

«As crianças foram forçadas a testemunhar exibições explícitas de atos sexuais gay, mulheres a abanar-se provocativamente e Bad Bunny a agarrar descaradamente a sua virilha enquanto se esfregava no ar», detalhou Ogles na carta partilhada no X (antigo Twitter).

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A controvérsia já levou a uma investigação no Congresso, confirmou Mark Alford, congressista do Missouri. Em entrevista ao canal Real America’s Voice, Alford afirmou que o espetáculo deste ano «pode ser pior» do que o famoso incidente com Janet Jackson no Super Bowl de 2004, quando um dos mamilos ficou exposto.

«Não falo espanhol fluentemente, sei como perguntar onde fica a casa de banho, mas estas letras, se o que foi dito na televisão nacional for verdade... Temos muitas perguntas para as estações que as transmitiram, e vamos falar com Brendan Carr, [presidente] da FCC», assegurou Alford.

A crescente revolta do Partido Republicano encontra eco nas palavras de Donald Trump, que descreveu a atuação do porto-riquenho como «uma das piores da história» e uma «afronta à grandeza» dos Estados Unidos.

De recordar que, em setembro, o presidente da FCC, Brendan Carr, já tinha solicitado aos media para se alinharem com a administração de Trump, chegando a ameaçar a ABC com uma revisão das licenças devido a comentários do comediante Jimmy Kimmel, levando à suspensão do talk-show durante uma semana.