Aos 30 disseram-lhe que era «demasiado velha», aos 52 faz história nos Jogos Olímpicos
No domingo, no parque de neve de Livigno, Claudia Riegler, na quinta participação em Jogos Olímpicos, alcançou os oitavos de final no slalom gigante paralelo de snowboard, antes de ser eliminada pela bicampeã olímpica da prova, Ester Ledecká, 22 anos mais nova e apenas um segundo mais rápida nesse dia.
No entanto, a atleta de 52 anos não se deixou abater. Para Riegler, não é a vitória que a faz mais feliz, mas sim o simples deslizar na pista, o cortar de curvas amplas com a aresta da prancha. E ao fazê-lo novamente, tornou-se na atleta mais velha de sempre a participar numa olimpíada de inverno.
«Foi tão divertido», disse a snowboarder austríaca, antes de interromper a entrevista por um momento, distraída pelos aplausos do público, segundo relato do The Athletic.
52 años y la sigue rompiendo 🤩
— Eurosport.es (@Eurosport_ES) February 8, 2026
Claudia Riegler, la competidora más veterana de los Juegos Olímpicos de @milanocortina26, pasa ronda en eslalón gigante paralelo y se niega a entregar la cuchara en sus quintas Olimpiadas.#MilanoCortina2026 pic.twitter.com/YwOHryuFUq
Riegler estreou-se na Taça do Mundo em 1994 e ganhou uma mota Harley Davidson em 1999, como recompensa por uma vitória no slalom gigante paralelo. Aos 30 anos, um treinador disse-lhe que era «demasiado velha» e que não voltaria a ganhar nenhuma corrida. Segundo ele, estava numa trajetória descendente.
«Vou fazê-lo sozinha», disse Claudia a si mesma na altura. E por isso, nos últimos 22 anos, trabalhou sozinha. «Nós estabelecemos os nossos próprios limites. Ainda consigo competir com estes jovens talentos», orgulhou-se Riegler, após a última corrida, nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026.
Riegler compete num desporto que não é para os fracos de espírito. O slalom gigante paralelo exige velocidade e precisão, com os atletas a descerem lado a lado, a serpentear entre portas em dois percursos quase idênticos.
Ao longo dos anos, pouco mudou, nem no seu treino, nem na sua nutrição. «Como de forma saudável, sem McDonalds!», revela a atleta que teve como principal resultado o título mundial de slalom gigante paralelo em 2015, além de ter conquistado também a prata (slalom gigante paralelo) e o bronze (slalom paralelo) nos Mundiais de 2011.
Adeus aos Jogos Olímpicos, mas ainda de olho nos Mundiais
A austríaca, que terminou em segundo lugar na Taça do Mundo em Yanqing, na China, em 2024, formou-se como treinadora neuro-mental, focando-se na reestruturação de padrões de pensamento e mentalidade. «Cuido muito bem do meu corpo, mente e alma», assegura.
«Considero-me uma das miúdas daqui. Isso mantém-me jovem. Alguém tem de mostrar o que é possível. A Lindsey [Vonn] mostra-o, a Ester (Ledecká) mostra-o. Temos de quebrar estas barreiras», defende ainda.
Apesar de ainda ter o desejo de participar nos campeonatos mundiais em casa, na Áustria, no próximo ano, Milão-Cortina marcou a última presença nos Jogos Olímpicos.