Zak Brown e Andrea Stella com o título de (bi)campeão pela McLaren
Zak Brown e Andrea Stella com o título de (bi)campeão pela McLaren - Foto: IMAGO

CEO da McLaren ataca FIA: «Saga da compressão é política típica da Fórmula 1...»

Zak Brown lamenta os jogos políticos e critica rivais pelos protestos para a mudança de regras relativas aos pneus a um mês de arrancar a competição

Zak Brown, CEO da McLaren e bicampeão mundial, considera que a saga em torno dos motores Mercedes e da taxa de compressão em que operam é uma «política típica da Fórmula 1». A taxa de compressão dos motores V6 de combustão interna, que mede o quanto a mistura ar-combustível pode ser comprimida no cilindro, foi reduzida para 16:1 para esta geração de unidades de potência. Esta medida foi, em parte, implementada para facilitar a criação de motores para novos fabricantes como a Audi.

No entanto, Audi, Honda e Ferrari acreditam que a Mercedes encontrou uma forma engenhosa de cumprir a relação de 16:1 em condições estáticas e a frio, conforme medido pela FIA, mas que aumenta a compressão para 18:1 a temperaturas mais elevadas, o que lhes confere mais potência. A Mercedes, por sua vez, afirma que os seus motores cumprem integralmente as regras.

Zak Brown, cuja equipa é uma das quatro a utilizar motores Mercedes, juntamente com a equipa de fábrica, a Williams e a Alpine, desvalorizou as queixas sobre o motor Mercedes, classificando-as como jogos políticos. «Isto é política típica da Fórmula 1. O motor foi projetado e é totalmente compatível com as regras», disse na apresentação do monolugar da McLaren para 2026, o MCL40. «Esta é a essência do desporto. Não é diferente de coisas como os difusores duplos que vimos no passado, que também estavam dentro das regras», explicou, criticando os rivais.

«Não acredito que haja uma vantagem significativa, como os concorrentes a apresentam, mas, claro, o trabalho deles é transformar qualquer suposta vantagem numa história. A realidade, porém, é que o motor é totalmente compatível e passou em todos os testes. Penso que a HPP (Mercedes) fez um bom trabalho», afirmou.

A FIA procura pôr fim à disputa para que esta não se arraste para a temporada de 2026. No entanto, as mudanças a curto prazo, que os rivais da Mercedes exigem antes da abertura da temporada em Melbourne, em março, ainda parecem improváveis. Estas poderiam forçar o fabricante a fazer alterações que talvez não fossem viáveis antes da primeira corrida.

Ainda assim, Brown não partilha os receios de que as equipas com motores Mercedes possam não conseguir competir na Austrália. «Não consigo imaginar que não haverá equipas Mercedes na grelha de partida na Austrália. Não estamos a par dessas conversas, por isso nem sei, do ponto de vista do motor, o que seria necessário para mudar as regras. Mas tenho a certeza de que todas as equipas Mercedes estarão na grelha de partida na Austrália», garantiu.