Na primeira volta o FC Porto triunfou em Alvalade

Este clássico pode ser o jogo do título

Em caso de triunfo azul e branco, Farioli poderá, pelo menos, considerar já uma mão pousada sobre o troféu de campeão nacional. Qualquer outro desfecho manterá o suspense e a incerteza, ainda que o empate seja mais benéfico para os dragões do que para os leões…

Assim que Luís Godinho apite para o final do encontro desta noite entre FC Porto e Sporting, ficarão por disputar trinta e nove pontos até à conclusão do Campeonato. São treze jogos que impõem prudência e desaconselham contas definitivas quanto ao futuro campeão. Julgo ser consensual que, se o FC Porto não sair vencedor deste Clássico, o enredo permanecerá em aberto, admitindo todos os cenários possíveis.

Todavia, atrevo-me a afirmar que, salvo um colapso inesperado dos dragões na reta derradeira da época, triunfar sobre o Sporting e assegurar uma vantagem de sete pontos – para além da superioridade no confronto direto – sobre os leões, significará que a equipa de Farioli ficará, desde logo, com uma mão firmemente apoiada na Taça destinada ao campeão nacional. Eis a razão: As sete partidas que o FC Porto tem ainda por disputar no seu reduto surgem, à primeira vista, como compromissos acessíveis: Rio Ave, Arouca, Moreirense, Famalicão, Tondela, Alverca e Santa Clara.

Não será impossível outro resultado, mas seria inesperado que os portistas não saíssem vitoriosos de cada um destes duelos. Fora de portas, os dragões defrontam dois desafios de maior exigência – Benfica e SC Braga – para além de visitas a Nacional, Estoril, Estrela da Amadora e AFS SAD.A almofada de segurança dos dragões, caso triunfem esta noite, permite-lhes perder um encontro e empatar dois, conservando-se ainda assim à frente dos leões, mesmo que estes somem vitórias em todas as treze partidas que se seguirão ao Clássico. Trata-se, sem dúvida, de uma posição privilegiada, que só uma hecatombe poderá pôr em causa. É em face desta conjuntura que o Sporting deverá delinear a sua abordagem para um Clássico em que a derrota não pode ser sequer contemplada.

E como deverá fazê-lo? É já evidente que Francesco Farioli é um mestre do rigor tático e da organização, ainda que, por vezes, lhe falte algum fulgor criativo. Proveniente da escola italiana, de natureza pragmática e orientada para o resultado – características, a meu ver, nada desdenháveis –, não me parece que faça a sua equipa pressionar alto e sufocar o opositor; os setores manter-se-ão juntos, a linha defensiva posicionar-se-á dez ou quinze metros após a grande área, e a zona de pressão deverá iniciar-se a alguns metros além do meio-campo.

No duelo estratégico entre Rui Borges e Francesco Farioli, caberá ao técnico de Mirandela assumir as despesas da iniciativa, partindo do pressuposto de o FC Porto estar pronto para anular as investidas pelas alas, canalizando o jogo para zonas interiores. Como se vestissem a pele de grandes-mestres  xadrezistas, ambos cientes das circunstâncias classificativas, Farioli deverá iniciar a partida – usando a linguagem do xadrez – com o ‘Sistema de Londres’, enquanto Rui Borges optará pela ‘Defesa Caro-Kann’ – ambas estratégias conservadoras. Depois, o rumo será ditado pelo jogo, sabendo-se, porém, que o empate serve melhor o propósito portista do que o dos visitantes.