Vinícius Júnior, Prestianni e Camavinga
Vinícius Júnior, Prestianni e Camavinga

Atenção, Prestianni: testemunho de colega valeu condenação em 2021

Ondrej Kudela, do Slavia Praga, foi suspenso por 10 jogos em 2021 por insulto proferido ao ouvido de Kamara que terá sido escutado por outro jogador do Rangers

O racismo no desporto, e no futebol em particular, é muito mais recorrente do que seria de esperar em pleno século XXI.

E no que diz respeito a jogos com a chancela da UEFA, os castigos não costumam ser leves, o que mostra a luta da entidade para erradicar atitudes discriminatórias inaceitáveis.

Na maioria das vezes, os casos são protagonizados por adeptos, mas são os clubes que pagam multas e suspensões.

Já esta época, em novembro, o Atlético Madrid foi punido com uma multa de 30 mil euros e um jogo fora sem adeptos (com pena suspensa por um ano), depois de terem adeptos do clube espanhol terem sido apanhados a fazer gestos de macacos e saudações nazis na visita ao Arsenal.

As consequências mais graves, porém, acontecem quando são intervenientes do jogo os protagonistas, como no caso em que Prestianni é acusado de ter insultado Vinícius Júnior no jogo entre o Benfica e o Real Madrid.

Em 2021, o checo Ondrej Kudela foi suspenso por 10 jogos após terem sido confirmadas as provocações de cariz racista que lançou a Glen Kamara durante um jogo entre o Rangers e o Slavia Praga, que o defesa representava.

O caso entre Kudela e Kamara, que manchou a Liga Europa em 2020/21

No caso em questão, Kudela proferiu o insulto ao ouvido do adversário e foi condenado com base no testemunho também de Bongani Zungu, companheiro de equipa de Kamara, que afirmou ter ouvido as palavras do checo.

Recorde-se que após o jogo na Luz, Kylian Mbappé afirmou na zona mista ter ouvido Prestianni a «chamar macaco a Vini cinco vezes».

Na altura, Kudela mostrou-se surpreendido pelo castigo por entender não existirem provas concretas contra ele, mas apesar do recurso do Slavia Praga, o castigo foi cumprido e fez com que o central falhasse o Europeu 2020 (realizado em 2021), para o qual tinha sido convocado.

Já os advogados do jogador do Rangers lamentaram que tivesse sido aplicada a pena mais leve prevista no regulamento da UEFA em casos de racismo, e que se mantém em  10 jogos de suspensão.

De resto, então como agora, houve vozes a levantarem-se a pedir punições para jogadores que tapam a boca ao falar com adversários. O antigo internacional neerlandês Clarence Seedorf, citado pelo The Guardian foi um dos mais veementes.

«Se um jogador tapar a boca para falar com o seu treinador ou colegas de equipa, é aceitável, mas quando se dirige ao árbitro ou a um adversário, seja em que desporto for, não deve ser permitido tapar a boca. Tem de valer cartão amarelo».

Recorde-se que agora foi Mikael Silvestre, antigo internacional francês e membro do Painel da Voz dos Jogadores da FIFA a lançar esse tema para debate.