Desafio do VAR: decidir mais e complicar menos
Decorridos quase oito anos da implementação da videoarbitragem na Europa já há matéria suficiente para perceber o quão importante se tornou esta ferramenta para a verdade desportiva, mas já é igualmente possível antever (ou, pelo pelos, desejar) para onde deverá caminhar o VAR. E fazendo fé de que o interesse do futebol enquanto modalidade e espetáculo esteja acima de tudo e de todos, este extraordinário recurso terá de ser alargado a uma dimensão muito maior. E não só a duplos amarelos e cantos.
Convém voltar à origem: o VAR nasceu para diminuir a clivagem entre más decisões dos árbitros e o que era observado pelo público em transmissões cada vez mais sofisticadas. O valor intrínseco não é (ou nunca deveria ser), uma extensão da especialidade do juiz, mas sim uma garantia de que havia dois pares de olhos bem treinados que observassem o óbvio e garantissem a uma esmagadora de espectadores de que havia justiça em campo.
O VAR só tem sucesso se as pessoas que assistem ao jogo não ficarem com dúvidas. Ou dito de outra maneira: a verdade do VAR decorre de uma perceção pública positiva; só é verdadeiramente útil se o lance gerar pouca discussão a si que lê este texto, independentemente da cor que tem ao peito. Caso seja apenas a verdade de um especialista de arbitragem, mas que só ele e poucos vislumbram, pode até a decisão ser correta na sua essência, mas não resulta se poucos a entenderem. Sabendo, porém, que é um equilíbrio difícil.
Temos vindo a assistir (e não é de agora e nem só em Portugal) ao aumento do complicómetro, como se os videoárbitros quisessem fazer prova de vida. É a altura de simplificar: lances que justifiquem mais do que três ou quatro repetições ou que demorem mais de um determinado tempo (dois a três minutos, por exemplo) é sinal de não é «claro e óbvio» tal como diz o protocolo, logo, é lance para morrer ali e permanecer a decisão inicial. Por outro lado, será o momento de abrir a intervenção do VAR a muitas decisões em tempo real, desde que sejam absolutamente indiscutíveis até para o gato que está consigo no sofá: lançamentos laterais, cantos/pontapés de baliza ou faltas. Bastam três segundos para reverter, sem prejudicar a dinâmica e reforçando a justiça. E manter o poder sempre no juiz de campo.
Posto isto, é caso para perguntar: só um ex-árbitro pode ser VAR? O futuro terá de passar por um formato híbrido: juízes, jogadores, treinadores e até analistas, desde que sujeitos a testes de aptidão como para qualquer outra profissão, podem acrescentar valor, desde que demonstrem conhecer o jogo e tenham bom senso. Que ajudem a descomplicar. No futebol, jogar simples é o mais difícil.
ELEVADOR DA BOLA
A SUBIR
César Peixoto, treinador do Gil Vicente
Treinadores que tentam pôr as suas equipas como os grandes há muitos, treinadores que o façam com uma continuidade temporal e consistência há poucos. Cada vez mais cresce a ideia de que César Peixoto está talhado para jogar e treinar um grande.
ESTACIONADO
António Salvador, presidente do SC Braga
Tem um passado e obra que falam por si, mas mais uma vez o SC Braga arrisca-se a terminar a época abaixo das sempre ambiciosas expectativas. Como sempre, o treinador é que pagará. A inconsistência no banco é outra das imagens de marca de Salvador.
A DESCER
Liga, competição profissional de futebol
Não a pessoa do seu presidente, Reinaldo Teixeira, ou a instituição, mas a competição em si que permite relvados como o de São Miguel, nos Açores, ou que volta a ser marcada pelo ambiente tóxico entre rivais e que ultrapassam a saudável rivalidade.