Arda Guler agarra Prestianni, que se dirige a Vinícius Júnior (Foto: Miguel Nunes)
Arda Guler agarra Prestianni, que se dirige a Vinícius Júnior (Foto: Miguel Nunes)

FIFA discute hipótese de castigar jogadores que falem com a boca tapada

Gesto de Gianluca Prestianni para com Vinícius Júnior em análise

Mikael Silvestre, ex-internacional francês e um dos 16 membros do Painel da Voz dos Jogadores da FIFA, confirmou que está a ser discutida a possibilidade de, no futuro, jogadores serem castigados por se dirigirem a adversários com a boca tapada, na sequência daquilo que Prestianni fez com Vinícius Júnior no Benfica-Real Madrid desta terça-feira.

O antigo jogador explicou à Sky Sports que esta discussão tem de existir, porque, na sua opinião, «houve claramente ódio» na conversa entre o argentino e o brasileiro:

O grupo de Wahtsapp do nosso Painel tem estado muito ativo, ao tentarmos encontrar formas de sancionar jogadores que falem com a boca tapada. Uma coisa é se estás a falar de táticas com os colegas de equipa ou ter uma discussão casual, mas houve claramente ódio entre os jogadores, sobretudo de um para outro e se calhar temos de castigar este tipo de comportamento. Quer ponhas as mãos à frente da boca ou a tapes com a camisola, como ele [Prestianni] fez.

No entanto, Silvestre explica que a possibilidade de sancionar este tipo de comportamento «demora tempo»: «Também temos de ver com os árbitros o que eles podem, ou não, fazer em campo. É um trabalho em curso.»

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Neste caso em particular, o antigo jogador do Manchester United, Inter e Arsenal, entre outros, explica que apesar de «existirem algumas testemunhas, como Kylian Mbappé que disse ter ouvido o que o jogador disse», será difícil aplicar sanções concretas.

«É complicado para o árbitro, ter provas do que o aconteceu, para a investigação ser célere, porque a 2.ª mão é daqui a sete dias e se alguma coisa for comprovada entretanto, o jogador não deveria jogador e deveria ter uma grande suspensão.»

O Painel da Voz dos Jogadores foi criado pela FIFA no ano passado com 16 ex-jogadores «de diversas origens étnicas e nacionalidades, abrangendo as seis confederações, para acompanhar e aconselhar sobre a implementação de iniciativas e ações tomadas no âmbito da posição global contra o racismo», como explica o próprio organismo que tutela o futebol mundial. Além de Silvestre, George Weah, Didier Drogba, Formiga e Blaise Matuidi são outros dos ex-atletas que compõem o painel.