Ex-Man. United recorda Mourinho: «A ideia dele era... 'não promovo jovens'»
Cameron Borthwick-Jackson, antigo defesa do Manchester United, reencontrou a alegria de jogar futebol no Macclesfield, clube do sexto escalão inglês, depois de uma carreira com altos e baixos que o levou a ponderar o abandono e a estar 18 meses sem clube. O jogador de 29 anos foi recentemente protagonista de uma das maiores surpresas da história da Taça de Inglaterra, quando a sua equipa eliminou o Crystal Palace, detentor do troféu, esta temporada.
No início de janeiro, Borthwick-Jackson assinou pelo Macclesfield, equipa orientada por John Rooney, irmão da lenda do United, Wayne Rooney. Pouco depois, participou na histórica vitória por 2-1 sobre o Crystal Palace, um adversário 117 lugares acima na pirâmide do futebol inglês. O defesa entrou como suplente perto do final, na sua segunda aparição pelo clube.
O momento foi particularmente emotivo para o seu pai, Mark, que o acompanhou em toda a carreira. «Acho que ele sentia falta de estar nos jogos», confessou em declarações ao The Athletic. «Depois do jogo com o Palace, notava-se que ele estava a chorar. Sinto que é muito importante para ele, porque esteve comigo em cada passo. Ele sabe tudo o que se passou nos bastidores. Para ele, é provavelmente um momento de grande orgulho.»
A carreira de Borthwick-Jackson teve um início promissor no Manchester United, em que se estreou pela equipa principal em novembro de 2015, sob o comando de Louis van Gaal, num jogo da Premier League contra o West Bromwich Albion. O treinador neerlandês, conhecido por lançar jovens da formação, deu a oportunidade a 13 talentos de Carrington durante as suas duas épocas. «Ele foi brilhante comigo. Perfeccionista, mas brilhante. Deu a muitos de nós a nossa oportunidade. Muitos de nós devem-lhe muito porque, na verdade, ele lançou as nossas carreiras», recordou o defesa.
Nessa mesma temporada, em que Marcus Rashford também se estreou, Borthwick-Jackson foi titular em seis jogos da Premier League, acumulando quase 700 minutos. No entanto, a saída de Van Gaal e a chegada de José Mourinho no final da época 2015/16 mudaram o seu rumo. Apesar de ter renovado contrato no mesmo dia que Rashford, uma lesão no início da pré-época e a chegada de novos reforços ditaram o seu afastamento do balneário principal e uma série de empréstimos a clubes como Wolverhampton, Leeds United, Scunthorpe United, Tranmere Rovers e Oldham Athletic, antes de ser dispensado em 2020.
Sobre a renovação sob o comando de Mourinho, Borthwick-Jackson acredita que foi uma questão de perceção. «Obviamente, a perceção dele antes de chegar era: 'Não jogo com jovens, não promovo jovens'. Coisas desse género. Por isso, acho que para os adeptos, ver-me a mim e ao Marcus a assinar no mesmo dia foi como que a dizer: 'Ah, ok, justo'». Apesar do percurso sinuoso, o defesa não guarda mágoas e mantém o contacto com antigos colegas como Rashford e Scott McTominay. «Não se pode ter arrependimentos no futebol. As coisas acontecem por uma razão», afirmou. «Estou provavelmente mais orgulhoso de mim agora, por ter estado fora do futebol e ter voltado».
Para Borthwick-Jackson, que foi titular nos dois últimos jogos do Macclesfield na liga, o sentimento é de redescoberta. «Já há algum tempo que não sentia prazer a jogar futebol», admite. «Regressar [a Inglaterra] e fazer parte de um grupo vitorioso ajuda imenso. Sentir-me valorizado outra vez também. Acho que, para mim, a ambição é, antes de mais, desfrutar do futebol e depois ver onde isso me leva», concluiu.