Liga: agora é que vão ser elas
O FC Porto parecia lançado para o título, mas perdeu com o Casa Pia, empatou em casa com o Sporting e a vantagem ficou reduzida, se não a pó, pelo menos a uma areia (movediça?) que dá pouca tranquilidade.
O Sporting parecia ter pelo menos o segundo lugar — que dá acesso, na pior das hipóteses, ao play-off da Champions — na mão, mas aquele empate em Barcelos a fechar a primeira volta, e novo empate no clássico (ainda que conseguido, outra vez, a fechar o jogo — por falar nisso, até quando vai o leão sobreviver depois da placa da compensação?), deixaram as contas menos fáceis.
E de repente, uma banal vitória do Benfica nos Açores — banal porque a superioridade da equipa de José Mourinho foi claríssima, e o Santa Clara nem meia oportunidade de golo teve, foi preciso um frango de Trubin para manter a incerteza até final — coloca uma dose de pressão para dragões e leões que, há umas semanas, surpreenderia qualquer um.
Mas é verdade, basta olhar para a classificação da Liga. O Benfica, aquele Benfica tão criticado, a quem tantos defeitos punham (a maior parte com justiça, diga-se), tem os mesmos pontos do Sporting e apenas menos quatro que o FC Porto, antes dos jogos de hoje.
E a aumentar a pressão, líder e segundo classificado vão entrar em campo, perante adversários complicados — o dragão contra o Nacional, mas na Madeira; o leão em casa, mas contra o Famalicão, uma das melhores equipas da Liga —, sem os seus pontas de lança titulares, sem, sequer, as segundas opções.
No FC Porto, a baixa de Samu junta-se à de Luuk de Jong, que, podem os mais distraídos ter-se esquecido, chegou a alternar a titularidade com o espanhol no arranque da época. Nenhum deles voltará a jogar até ao final da temporada. Sobram Deniz Gul (4 golos em 26 jogos esta época) e Terem Moffi, chegado nos últimos dias de janeiro depois de paragem prolongada. Chegará? Para a Choupana, talvez. Para três meses intensos, pode ser curto...
No Sporting o problema é mais localizado, para este jogo específico — Luis Suárez está castigado, Ioannidis estava lesionado (deve voltar esta noite, mas sem condições para jogar muitos minutos), Rafael Nel está verde, sobra uma improvisação de Rui Borges, uma alternância de Pedro Gonçalves e Faye a pisarem terrenos mais avançados. Resultará? Não será o mesmo que ter Suárez na frente.
E não bastava a obrigação de mudar, tinha de ser ainda com este peso por cima? Agora é que são elas...