Bednarek - Foto: Catarina Morais/KAPTA+

O comandante silencioso da defesa portista

Farioli tem em Bednarek um alicerce de granito num plantel onde poucos ainda conseguem manter o nível competitivo exibido no arranque da época

Num clássico que deixou o Dragão a meio caminho entre a frustração e o aplauso, Bednarek rubricou uma exibição de encher o olho — um manual de como se joga à patrão em noites grandes. O empate (1-1) frente ao Sporting pode ter sabido a pouco para o FC Porto, travado por um penálti com recarga de Luis Suárez já aos 90+10, mas o internacional polaco saiu do relvado sob o aplauso convicto de quem percebeu a dimensão da sua atuação.

Bednarek foi o pilar da muralha construída por Francesco Farioli num desafio em que os leões insistiram, por todos os meios, em testar a solidez da defesa azul e branca. Cruzamentos em catadupa, investidas de Geny, Trincão e Pedro Gonçalves e passes traiçoeiros em profundidade — nada que o ex-Southampton não resolvesse com frieza e tempo de intervenção perfeito.

Antecipações e cortes cirúrgicos e uma leitura de jogo irrepreensível ergueram-no a figura do encontro, uma distinção confirmada por A BOLA, que o elegeu, sem hesitação, o melhor em campo.

Os números explicam parte da história: 78 passes certos em 82 tentados, 14 ações defensivas, cinco interceções, dois cortes decisivos e um remate bloqueado que valeu quase tanto como um golo. Imperou também nas alturas, ganhando cinco dos seis duelos aéreos que disputou, impondo a sua robustez e comando na retaguarda.

Ao seu lado, Kiwior resistiu enquanto pôde até sair, lesionado, aos 63 minutos — deixando o palco central entregue ao compatriota, que manteve o navio firme quase até ao último sopro da partida.... quando apareceu Suárez.

Aos 29 anos, Bednarek vive o melhor ciclo da carreira. Decisivo na Taça de Portugal — foi dele o golo que eliminou o Benfica nos quartos de final —, o polaco transformou-se numa referência dentro e fora de campo.

A voz que orienta, o exemplo que inspira, o líder que fala pouco, mas impõe tudo pelo jogo que faz. Mesmo sem braçadeira, é ele quem dita a ordem no setor recuado e transmite serenidade a toda a equipa.

Num FC Porto que chega a esta fase decisiva da temporada na liderança, mas com alguns sinais de desgaste — Francisco Moura e Pepê já acusam o calendário, Borja Sainz perdeu fulgor —, Bednarek mantém-se um caso à parte: sólido, intenso e fiável. Soma 31 jogos, 29 como titular e 24 completos, sem que a concentração ou a precisão se tenham desviado um milímetro.

Farioli tem nele um alicerce de granito num plantel onde poucos ainda conseguem manter o nível competitivo exibido no arranque da época. E o Dragão, que o viu crescer jogo após jogo, começa agora a reconhecer-lhe o estatuto de comandante silencioso desta era em azul e branco.