Campeonato ressuscita no último suspiro de um clássico amarrado (crónica)
Perguntávamo-nos desde há dias, com legitimidade, quanto se decidiria neste clássico do Dragão. Os cenários não eram, afinal, assim tão difíceis de traçar. Até aos 97 minutos parecia tudo decidido, mas um penálti dos modernos (volumetria do braço de um jogador que está a um metro ou dois do atacante) permitiu ao Sporting sair vivo do Dragão. A quatro pontos (cinco na prática, dada a vantagem azul e branca no confronto direto), mas com razões para refletir sobre se não lhe caberia ter feito algo mais por uma aproximação à liderança. Já lá vamos.
As equipas entraram em modo cauteloso, com o Sporting a pretender ser mais territorial e manter a bola sempre longe da sua área. Um domínio aparente que, todavia, pouco ou nada de prático trazia a não ser a tal segurança. As unidades encaixavam no meio-campo, ainda que houvesse atrás de Pote e Suárez um corredor que o FC Porto poderia explorar, mas não explorava.
Passava pouco dos dez minutos quando Francesco Farioli patrocinou, via-Diogo Costa, a primeira pausa técnica daquelas a que nos tempos mais recentes nos vamos habituando. O guarda-redes queixou-se de dores numa coxa, o jogo parou e a equipa foi toda para junto do banco ouvir instruções. Sendo impossível prosseguir o jogo com o guarda-redes queixoso (e não cabe ao árbitro saber se dói mesmo ou não), talvez a inclusão formal de pausas técnicas ajudasse a resolver este expediente pouco feliz. Ou, em alternativa, não permitir a aproximação dos jogadores aos bancos, sob pena de ação discplinar. Não é fácil, mas interessa que se faça algo sobre o tema um destes dias.
Adiante: Farioli terá dado instruções no sentido de um futebol um nadinha mais vertical. Sem grandes riscos, mas tentando procurar o tal corredor entre o duplo pivô leonino (Hjulmand-Morita) e a linha mais avançada. Com uma ou outra variação de posicionamentos os donos da casa ficaram um nadinha mais donos do jogo e conseguiram duas aproximações sérias à área do Sporting, que resultaram em remate tortos para fora.
Do outro lado nenhum remate, com o Sporting a conseguir também ele duas incursões perto de Diogo Costa, que nem em remates resultaram, apenas em cruzamentos.
Com os defesas de ambos os lados a darem cartas e a desinspiração quase total dos homens mágicos, chegou-se ao intervalo com um dos zero-zeros mais redondos que se podem imaginar, de tão logico que era. Para o balneário foram duas equipas com mais medo de perder do que vontade de ganhar. E de lá voltaram na mesma.
O Porto (que perdeu Samu ao intervalo mas não sentiu diferença) foi-se sentindo cada vez mais confortável com o correr dos minutos, assumindo de vez o estilo de jogo que lhe tem valido os pontos: pressão não muito alta, posicionamento compacto e atenção redobrada a erros do adversário. Ora, com o adversário, também ele, a errar muito pouco, acabou por ser a magia de um futebolista diferenciado a permitir o desequilíbrio da defesa leonina. Sim, Rodrigo Mora contemporizou, simulou, partiu o setor recuado e Fofana, em estreia, marcou ao quarto remate da mesma jogada.
Depois de sofrer o golo, o Sporting acordou e foi atrás do que queria, ou devia ter querido. Finalmente mostrou-se junto à área portista e começou a criar sérias dificuldades aos donos da casa, que se defendiam de forma ainda mais assumida. Fica a sensação de que cabia aos leões assumirem mais riscos, porque poderiam ter ficado a apenas um ponto. Mas essa é uma equação que só ficará resolvida no final do campeonato... Para já, há uma Liga em aberto e o Benfica de novo à espreita.