José Mourinho, treinador do Benfica - Foto: Miguel Nunes
José Mourinho, treinador do Benfica - Foto: Miguel Nunes

Benfica vai torcer pelo FC Porto

De repente, tudo se conjuga para que as quatro equipas europeias desejem o sucesso coletivo. Encarnados são os mais interessados no segundo lugar anual do ranking da UEFA

Sporting e Benfica, os dois representantes de Portugal na Champions, descem de novo à terra para os confrontos domésticos frente a Nacional e Tondela, respetivamente, e será interessante perceber como os jogadores conseguem manter os níveis de motivação após um estado de pura embriaguez na sequência de triunfos diante de equipas espanholas que ficarão gravadas na história. Não que aquilo a que os técnicos chamam de mudança de chip seja uma novidade, viu-se por exemplo a forma como os leões conseguiram manter o nível exibicional após o categórico e surpreendente triunfo frente ao PSG na jornada anterior da liga milionária, mas o perigo de um ligeiro baixar da guarda é o medo que todos os treinadores têm nestas circunstâncias.

Não será difícil adivinhar, no entanto, que a mensagem para dentro quer de José Mourinho quer de Rui Borges seja o de esquecer epopeias passadas e manter os olhos bem abertos no presente, até porque a luta mais interessante que se desenha neste momento no campeonato é entre os dois rivais de Lisboa, separados apenas por três pontos. É o segundo lugar que está em causa, para já, porque o primeiro, esse, parece estar cada vez mais distante, não obstante estarmos ainda no início da segunda volta – veremos como o clássico entre leões e dragões, a 9 de fevereiro, reabre ou não a discussão.

Mas não menos relevante é esta nova perspetiva que se abre com a possibilidade de no próximo ano Portugal poder ter três equipas na Champions de forma direta. Para isso terá de assegurar o atual segundo lugar no ranking anual da UEFA (o sexto lugar do ranking a cinco anos só terá efeitos a partir de 2027/28), o que pode provocar uma espécie de sentimento de unidade nacional: sportinguistas, benfiquistas, portistas e bracarenses a torcerem para que todas as equipas lusas vão o mais longe possível nas respetivas competições em que estão inseridos. Porque isso trará benefícios diretos a todos.

Por estar atualmente fora dos lugares de acesso à Champions na próxima temporada, o Benfica será mesmo o principal interessado para que, por exemplo, o FC Porto conquiste a Liga Europa (um cenário realista e que faz dos dragões aqueles que teoricamente podem chegar mais longe na Europa).

Todos sabemos que o sal e pimenta são necessários a qualquer liga, mas talvez estas circunstâncias possam criar um clima de maior convergência e deixar emergir o melhor que há por estas bandas: a qualidade de jogadores e treinadores. Numa semana em que tanta coisa correu bem, dá que pensar o que seria o campeonato português com melhores quadros competitivos, mais moderno, estádios cheios (que não o dos grandes) e um clima mais respirável. Se calhar não é assim tão difícil.