Egan Bernal já domina ciclismo colombiano, mas na Europa continua à procura dos tempos áureos

Egan Bernal: «Para ganhar é preciso bater Pogacar, Evenepoel, Almeida ou Vingegaard»

Colombiano acaba de revalidar o título de campeão nacional, mas reconhece que a exigência competitiva no WorldTour é muito mais alta. Mas não perde ambição...

Egan Bernal acaba de revalidar o título campeão colombiano de fundo mas mantém perspetiva realista sobre os desafios que o esperam no pelotão europeu. A vitória em casa serviu para confirmar a boa forma e a confiança, mas o ciclista da INEOS Grenadiers sabe que a realidade competitiva no WorldTour é bem diferente.

Em declarações ao Deportes RCN, Bernal sublinhou a intensidade do ciclismo atual. «Vencer é vencer. Mas já não há ofertas, já não existe o conceito de corrida de preparação e toda a gente vai a fundo», afirmou, refletindo não só a sua própria trajetória recente, mas também a reestruturação em curso na sua equipa.

O triunfo na Colômbia foi arduamente conquistado e veio acompanhado do reconhecimento imediato do nível exigido para competir no Velho Continente. «De momento, tudo está a correr bem. Continuo a trabalhar com os pés bem assentes na terra, porque para ganhar na Europa terás de defrontar um Roglic, um Remco, um Pogacar, um Almeida ou um Vingegaard. Há tantos ciclistas realmente fortes», explicou Bernal.

Egan Bernal (Ineos Grenadiers)

Apesar da concorrência de peso, o colombiano não baixa os braços. «Continuo a trabalhar, a acreditar em mim e a tentar chegar ao melhor nível possível», acrescentou, enquadrando o título nacional como parte de um processo mais longo e não como uma prova definitiva da sua capacidade para lutar com os melhores nas grandes Voltas.

A dureza da prova colombiana, que durou mais de seis horas, foi um testemunho do valor da vitória. «Foi uma questão de esperar e ir a fundo. Nunca corri uma prova tão dura», confessou. Bernal descreveu a subida final como um desafio extremo, onde muitos ciclistas impuseram um ritmo fortíssimo. «Eu estava a puxar como um louco», disse.

No final, Bernal levou a melhor sobre Iván Ramiro Sosa num sprint renhido. «Pensei que talvez o Iván me fosse bater, mas as batalhas ao sprint depois de seis horas de corrida são muito diferentes, e correu bem», analisou.

Para a INEOS Grenadiers, esta atitude ponderada de Bernal é fundamental. A equipa continua a reconstruir-se e a perspetiva realista do seu líder é um sinal de que o progresso é gradual. A vitória na Colômbia mostra que Bernal está no caminho certo, mas, como o próprio reconhece, não altera a hierarquia que o espera do outro lado do Atlântico.