Até o juiz mais antigo do Supremo do Brasil comenta acusação de Vini Jr. a Prestianni
O jogo entre Benfica e Real Madrid, de terça-feira à noite, foi o mais comentado, mais do que qualquer duelo do Brasileirão ou dos campeonatos estaduais, ao longo de quarta-feira nas televisões, nos jornais e nas redes sociais no Brasil. De Luisão, glória brasileira do clube encarnado, ao juiz decano do Supremo Tribunal Federal, passando por Flamengo e CBF, todos se solidarizaram em torno de Vini Jr e, por consequência, contra o benfiquista Gianluca Prestianni.
«A CBF solidariza-se com Vinícius Júnior, vítima de mais um ato de racismo nesta terça-feira, após marcar pelo Real Madrid ao Benfica, em Lisboa. Racismo é crime. É inaceitável. Não pode existir no futebol nem em lugar algum. Vini, você não está sozinho. Sua atitude ao acionar o protocolo é exemplo de coragem e dignidade. Temos orgulho de você», disse o organismo que tutela a seleção brasileira, a outra equipa do atacante blanco.
«O que o Vini Jr. vive não é só sobre futebol», defendeu a conta oficial do Flamengo, clube de formação do atleta. «Ali tem um garoto que sonhou, que lutou, que venceu muita coisa para estar onde está. E dói ver alguém ser atacado simplesmente por ser quem é. A dança dele é alegria de verdade. É espontânea. É dele». E conclui: «Racismo não é parte do jogo. Machuca. E não pode ser normalizado. Vini, você não está sozinho. A gente sente, a gente apoia, a gente está com você».
Luisão, glória e adepto do Benfica, manifestou-se em solidariedade a Vini Jr e foi muito crítico de Prestianni: «Esta camisola é muito grande, amo o Benfica, é a minha segunda pele. Tem de se ser digno para vestir o manto sagrado. Esse texto [de Prestianni] piora porque é mentira... futebol ganha-se na raça, na luta... Foi rato racista sim e eu estou envergonhado com isso», disse o ex-central, que criticou ainda o protocolo da UEFA.
«Todas as coisas têm de ser claras», acrescentou o internacional brasileiro, a propósito do protocolo da UEFA. «O protocolo deve ser usado mas não para se esconder atrás dele. As decisões têm de ser claras. Quando vemos brechas em regulamentações, seja no Governo, seja no futebol, seja na sociedade, procuramos sempre esconder-nos nessas brechas. Se as coisas são óbvias, porquê seguir o protocolo? Daí a minha indignação», concluiu Luisão nas redes.
O caso chegou até ao Supremo. Gilmar Mendes, o decano da principal corte do país, opinou. «O racismo não se tolera — no futebol ou fora dele», disse o juiz, que tem casa e organiza conferências em Lisboa. «Não é a primeira vez que Vini Jr. é alvo de condutas abjetas como essa, o que torna o episódio ainda mais grave (...) ele um dos nossos maiores talentos, que enche o Brasil de orgulho dentro e fora de campo». «A sua coragem em denunciar merece respeito. Não se pode normalizar o inaceitável».
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