Tara Mae Kirk, avançada do Peterborough Women
Tara Mae Kirk, avançada do Peterborough Women

Tara Kirk denuncia «abusos online» após ser «sexualizada por marcar golos»

Jogadora inglesa de 22 anos é a goleadora da equipa feminina do Peterborough

A futebolista Tara Mae Kirk, avançada do Peterborough Women, abordou a «atenção indesejada» que recebe nas redes sociais, afirmando que os comentários «passaram muitas vezes dos limites» e se tornaram sexistas.

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A jogadora de 22 anos, que se transferiu do Leicester City para o Peterborough em 2022, viu-se inesperadamente no centro das atenções na época seguinte, depois de o clube ter partilhado os seus sucessos a marcar golos em jogos consecutivos. As publicações geraram uma onda de mensagens que levaram o clube a apagar alguns comentários para proteger o bem-estar das suas atletas, incluindo Kirk e a sua colega de equipa Keir Perkins.

Em declarações ao programa The Kick Back da talkSPORT, Kirk refletiu sobre o fenómeno. «Nunca imaginei as reações que tive por marcar golos», confessou, acrescentando que sentiu «absolutamente» que a atenção tinha ultrapassado os limites. «É a minha posição. É o que se espera que eu faça.»

A notoriedade da avançada explodiu de forma inesperada. «Acho que tudo me atingiu quando, na primeira semana, tive cinco milhões de visualizações e, na segunda semana, mais cinco milhões. E, na terceira, outros cinco milhões. Penso que foram cinco ou seis semanas consecutivas com cinco milhões de visualizações», recordou.

Inicialmente, não compreendeu a dimensão do fenómeno. «Pensei que era tudo um acaso ou que se tinham enganado na pessoa. O que são todos estes comentários? Pensei: "Oh, é só uma semana. Não vai acontecer outra vez."»

No entanto, a atenção persistiu. «Continuei a ver os comentários para tentar perceber todo este alarido. Percebi rapidamente que era positivo, mas também que estava a passar dos limites, a roçar o sexismo e a sexualizar-me. Por isso, sim, é uma espécie de equilíbrio entre o bom e o mau. Foi o que tive de aprender», explicou.

Kirk, que já realizou 89 jogos e marcou 52 golos pelo Peterborough, sublinhou que ser mulher no futebol a obrigou a desenvolver uma «pele ainda mais grossa».

A jogadora, que também trabalha como criadora de conteúdos e apresentadora, afirmou: «Acho que tenho a pele grossa, mas tive de a tornar ainda mais grossa por estar online. Foi uma escolha minha querer fazer crescer a minha marca e as minhas plataformas. Mas isso vem com uma pele grossa e com a necessidade de ignorar.»

A avançada defende ainda o direito à expressão individual: «Se uma pessoa quer usar maquilhagem ou arranjar o cabelo de uma certa maneira porque é assim que se sente bem, então deve poder fazê-lo.»

O caso de Kirk não é único. No verão passado, a jovem Skye Stout, de 16 anos, recém-contratada pelo Kilmarnock, foi alvo de utilizadores que gozaram com o seu acne juvenil, obrigando comentadores e ex-futebolistas a saírem em sua defesa.

Sobre o seu futuro, Kirk revelou que a carreira de apresentadora surgiu de forma espontânea e que pretende equilibrar o tempo em campo com a promoção do futebol feminino em frente às câmaras. «Nunca planeei tornar-me viral ou ter seguidores», admitiu. «Podia correr com isto ou ignorá-lo completamente. E penso em correr com isto por causa das oportunidades e do lado financeiro.»