«Prestianni disse-nos que chamou maricas a Vinícius Júnior e não macaco»
Federico Valverde e Aurélien Tchouaméni, jogadores do Real Madrid, abordaram a vitória sobre o Benfica no Estádio da Luz (1-0) na primeira mão do play-off da UEFA Champions League e o incidente entre Vinícius Júnior e Prestianni, que terá envolvido insultos racistas. No final da partida, os companheiros de equipa do avançado brasileiro mostraram-se solidários e condenaram o sucedido. Tchouaméni revelou a versão dos acontecimentos que chegou ao balneário.
«A verdade é que isto não pode acontecer. Disseram-nos que o rapaz lhe chamou 'macaco' com a camisola a tapar a boca. Depois ele diz que não disse nada, que disse maricas, mas tanto faz», afirmou o médio francês, acrescentando que a equipa discutiu a situação. «Falámos como equipa e o Vini disse-nos que tínhamos de continuar a jogar. Não sei o que dizer. Falaremos sobre isto. Isto não pode acontecer», atirou o médio.
Questionado sobre uma conversa com Arbeloa e a possibilidade de abandonar o relvado, Tchouaméni explicou a decisão da equipa: «Se há um problema como equipa, saímos. Mas falámos sobre isso e decidimos que tínhamos de jogar. Fizemo-lo e ganhámos. E agora para o Bernabéu», explicou o francês.
Por sua vez, Valverde também lamentou o episódio, sublinhando a gravidade dos insultos e a dificuldade em prová-los. «Não se sabe o que lhe terá dito. Segundo todos os colegas que estavam perto, ouviram algo muito feio. Muitas pessoas lutam contra isto. O Vinícius é uma delas. É lamentável que, com tantas câmaras, não se consiga registar isso... Se tapas a boca para dizer algo... Estamos orgulhosos do Vinícius e do seu grande jogo», declarou o uruguaio.
Valverde reforçou que um insulto «é algo muito grave» e que, como colegas, o dever é «ajudá-lo e apoiá-lo», mostrando-se incrédulo com a falta de imagens: «Duvido que não haja uma câmara que o tenha visto».
Apesar do incidente, ambos os jogadores destacaram a importância da vitória e o desempenho coletivo. «É muito difícil jogar aqui. Com os adeptos, a equipa... Os primeiros 15 minutos são muito complicados, mas fizemos um bom jogo. Muito solidários, que é o mais importante», analisou Tchouaméni, elogiando ainda a pressão exercida pelos avançados: «Começar com o Vini e o Kylian como avançados é um exemplo. Com a qualidade deles podemos alcançar muito.»