Eteri Tutberidze está a acompanhar um patinador da Geórgia. IMAGO
Eteri Tutberidze está a acompanhar um patinador da Geórgia. IMAGO

Uma sombra arrepiante paira sobre Milão

A treinadora russa que esteve envolvida no maior escândalo de doping da patinagem está no evento e todos temem novo terramoto. Escapou incólume ao escândalo que acabou com a carreira de uma atleta de 15 anos que acusou 56 medicamentos num teste

O pavilhão em Milão esconde uma das figuras mais controversas da história dos desportos de inverno. Eteri Tutberidze, a mulher cujo nome está ligado ao maior escândalo de doping na história da patinagem artística, está de volta.

Embora a sua pupila, Kamila Valieva, tenha sido banida do desporto, Tutberidze apareceu em Itália, provocando um terramoto nos círculos desportivos.

O escândalo que abalou o planeta em Pequim2022 volta a pairar sobre o evento quatro anos depois. Enquanto a carreira da jovem Kamila Valieva foi destruída, a sua mentora Eteri Tutberidze continua figura presente na patinagem mundial.

O líder da Agência Mundial Antidopagem (WADA), Witold Banka, não poupou palavras quando questionado sobre a presença da russa nos Jogos. «Se me perguntar pessoalmente, definitivamente não me sinto confortável com a sua presença aqui nos Jogos Olímpicos», assumiu frontalmente Banka.

Valieva, com apenas 15 anos, tornou-se vítima do sistema. Com um teste positivo para um medicamento cardíaco proibido em Pequim2022, sofreu um linchamento público e uma suspensão que terminou há apenas seis semanas. Enquanto compete em campeonatos de saltos em Moscovo, a sua instrutora chegou a Milão – desta vez sob a bandeira da Geórgia!

Tutberidze nunca foi oficialmente acusada. Não havia provas, e a equipa de Valieva defendeu-se com a bizarra teoria de que a menina tinha acidentalmente tomado o medicamento do avô. No entanto, o facto da criança ter no corpo um cocktail de 56 suplementos e medicamentos legais lançou uma eterna sombra de dúvida sobre Eteri e os seus métodos de trabalho.

Agora, em Milão, ela colabora com o patinador georgiano Nika Egadze. Embora o COI e a União Internacional de Patinagem se mantenham em silêncio, todos a veem nos treinos. Especula-se que ela também esteja a aconselhar secretamente a nova esperança russa, Adelia Petrosian, de 18 anos, mas não há confirmação oficial. Além disso, a sua filha, a georgiana Diana Davis, também está em competição.

Além disso, a sua filha

Os fãs de patinagem ainda se lembram das cenas arrepiantes de Pequim. Quando Valieva, sob uma pressão incrível, caiu duas vezes e ficou sem medalha, Tutberidze não a abraçou. Em vez de consolo, recebeu palavras duras: «Porque é que desististe? Porque é que paraste de lutar?»

O gesto chocou o então presidente do COI, Thomas Bach, que declarou ter sido «horrível ver tanta frieza para com uma criança».