JO 2026: canadiana conquista prata e assume deficiência física
Florence Brunelle, patinadora de velocidade, alcançou a redenção em Milão ao conquistar a medalha de prata na prova de estafeta mista de pista curta nos Jogos Olímpicos, quatro anos após uma estreia desastrosa.
A atleta, natural de Trois-Rivières, no Quebeque, fez parte da equipa de seis patinadores que garantiu o segundo lugar para o Canadá, um feito que apaga a memória amarga da sua primeira participação olímpica.
Em 2022, Brunelle tornou-se na mais jovem patinadora de velocidade em pista curta a integrar a equipa olímpica do Canadá, mas a sua estreia transformou-se num pesadelo. Durante uma corrida, os seus patins tocaram nos de uma adversária, resultando na queda de ambas. Para piorar, Brunelle foi penalizada, o que fez a sua equipa descer duas posições na classificação, terminando no sexto lugar.
O incidente deixou marcas profundas na atleta, que na altura chegou a questionar o seu futuro na modalidade. «Realizei o meu sonho e sinto-me infeliz, então por que razão hei de continuar a fazer o que faço?», desabafou em 2018, acrescentando: «Perdi o meu propósito».
Além da superação desportiva, a conquista da medalha de prata revelou também um obstáculo pessoal notável. Antes da cerimónia de entrega das medalhas, Brunelle mostrou às câmaras de televisão que nasceu sem três dedos na mão esquerda. A patinadora parece ser a única na história da modalidade a competir, e a ganhar uma medalha, com esta particularidade.
Florence Brunelle nasceu sem os dedos e aprendeu a viver com essa diferença, e, embora se possa pensar que a ausência de dedos não seja um grande impedimento na patinagem de velocidade, a verdade é que os atletas usam frequentemente as mãos para se equilibrarem nas curvas. Para contornar esta dificuldade, Brunelle utiliza uma luva feita à medida, que lhe proporciona o apoio necessário num desporto que exige enorme precisão e equilíbrio.
A estrela olímpica já tinha abordado o assunto numa publicação anterior na sua conta de Instagram, admitindo: «Escondo sempre a minha mão esquerda. Não o devia fazer».