Um, dois... 20: os casos de racismo com Vinícius Jr.
O avançado brasileiro, Vinícius Júnior esteve uma vez mais no centro das atenções. Após um grande golo na vitória sobre o Benfica, no Estádio da Luz, o jogador do Real Madrid provocou os adeptos no festejo, o que lhe valeu um cartão amarelo.
Os jogadores do Benfica, irritados com Vinícius, envolveram-se em confrontos verbais com o brasileiro e com os seus companheiros. Após um bate-boca com Gianluca Prestianni, Vinícius Jr. alegou ter sido chamado de «mono», que significa «macaco» em espanhol.
Este foi o 20.º episódio de racismo com o nome do brasileiro ao barulho desde que este chegou à Europa vindo do Flamengo, em 2018.
Primeiro caso em Camp Nou
A 4 de outubro de 2021 foi quando sucedeu o primeiro insulto a Vinícius. Durante um El Clássico no Camp Nou, um adepto gritou "macaco" para Vinícius quando este foi substituído. O caso foi encerrado porque a polícia não conseguiu identificar o autor do crime.
A 12 de março de 2022, adeptos do Maiorca imitaram macacos enquanto gritavam «vai colher bananas». Nessa ocasião, a Justiça espanhola considerou os insultos «desprezíveis», porém sem teor criminoso.
Já a 16 de Setembro de 2022, no programa El Chiringuito, um empresário pediu a Vinícius para «parar de fazer macaquices» e «respeitar os rivais»
Dois dias volvidos, um grupo de adeptos do Atlético de Madrid gritou «Vinícius, és um macaco» fora do estádio. As autoridades consideraram que os cânticos racistas foram curtos demais para ser tomada alguma providência.
Os primeiros casos de detenções
A 30 de dezembro de 2022, Vinícius sofreu insultos racistas por parte dos adeptos do Valladolid. Em maio de 2025, cinco adeptos foram condenados a um ano de prisão por crime de ódio e ao pagamento de uma multa entre 1080 a 1620 euros. No entanto as penas de prisão foram suspensas sob a condição de que não cometeriam nenhum delito nos três anos seguintes, além da proibição de marcar presenças em estádios em Espanha no mesmo período.
A 26 de janeiro de 2023, apareceu numa ponte em Madrid um boneco com a camisola de Vinícius Jr. pendurado pelo pescoço: os adeptos responsáveis foram condenados com penas de prisão entre 14 e 22 meses, que foi substituída por multas e afastamento dos recintos desportivos.
A 5 de fevereiro de 2023, um adepto do Maiorca gritou "macaco" para Vinícius. Foi identificado e suspenso por três anos após descobrir-se que repetiu a conduta com outro jogador negro.
A 18 de fevereiro de 2023, um vídeo mostrou um adepto do Osasuna a proferir insultos racistas após um golo. O caso foi encerrado devido à falta de identificação do autor.
A 5 de março de 2023, cânticos racistas e sons de primatas foram detetados nas bancadas do Betis. A polícia identificou um indivíduo e entregou o caso à Justiça espanhola.
A 19 de março de 2023, cânticos racistas foram direcionados a Vinícius: "macaco" e "Vinícius, morre" foram ouvidos durante um clássico frente ao Barcelona. Desde então não houve desenvolvimentos neste processo.
A 21 de maio de 2023 deu-se o caso mais mediático, Vinícius confrontou as bancadas após receber insultos raciais no Mestalla. Mais tarde, já nos últimos minutos de jogo, foi expulso após uma discussão com o guarda-redes do Valência, Giorgi Mamardashvili, e ter acertado em Hugo Duro no rosto. Em junho de 2024, três adeptos do Valência foram condenados a oito meses de prisão e dois anos longe dos estádios, a primeira sentença deste tipo no país vizinho.
Ataques a menores e crimes de ódio
a 24 de setembro de 2023, uma criança de 8 anos que usava a camisola de Vinícius Jr. sofreu um ataque de ansiedade após receber insultos raciais por parte de adeptos do Atlético de Madrid. A tia da criança, que se encontrava no local, foi atacada pelo grupo. Um adepto foi preso em fevereiro de 2024.
A 21 de outubro de 2023, um adepto do Sevilha foi expulso após imitar gestos de macacos. O jogador brasileiro também denunciou uma outra adepta que fazia o mesmo ato racista.
A 2 de março de 2024, ao retornar ao Mestalla, foi assobiado em grande escala. Após marcar dois golos, comemorou com o punho erguido. O Valência proibiu a filmagem de um documentário sobre o jogador como uma «medida de precaução».
A 13 de março de 2024, registaram cânticos de «Vinícius, chimpanzé» antes de uma partida da Liga dos Campeões entre Atlético de Madrid e Inter Milão. O Real Madrid denunciou o facto ao Ministério Público.
A 16 de março de 2024, cânticos de «Vinícius, morre» foram entoados por parte dos adeptos do Osasuna. O Real Madrid acusou o árbitro Juan Martínez Munuera de omitir voluntariamente os insultos no seu relatório.
A 29 de setembro de 2024, quatro adeptos colchoneros foram presos por incitar uma campanha de ódio nas redes sociais sob anonimato para insultar o jogador do Real Madrid durante o clássico contra o Atlético de Madrid.
Os episódios continuaram em 2025-26
Os episódios dos anos anteriores continuaram e, em 27 de fevereiro de 2025, no jogo frente à Real Sociedad, na Taça do Rei, foi ativado o protocolo contra a intolerância e a partida foi interrompida após um adepto fazer o gesto de macaco em direção a Vinícius Jr.
Mais recentemente, a 14 de janeiro de 2026, também se registaram insultos racistas por parte dos adeptos do Albacete no jogo a contar para a Taça do Rei. Não houve ações legais.
Desde a sua chegada a Madrid, 18 adeptos já foram condenados com penas de prisão, multas e/ou proibição de entrada em recintos desportivos por insultos raciais.
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