ICE será «peça-chave da segurança» no Mundial, garantem os Estados Unidos
O diretor interino da agência de Imigração dos Estados Unidos (ICE) garantiu que a organização será uma «peça-chave do dispositivo de segurança geral para o Mundial 2026», afastando a possibilidade de suspender as suas operações durante o torneio.
A garantia foi dada por Todd Lyons durante uma audição no comité de segurança interna da Câmara dos Representantes, onde foi questionado sobre o papel da agência durante a competição da FIFA, que decorre no verão. A audição surge na sequência da morte de dois cidadãos norte-americanos, Alex Pretti e Renee Good, baleados por agentes da ICE em Minneapolis, no âmbito de uma operação de repressão à imigração ordenada pelo presidente Donald Trump.
A congressista Nellie Pou, cujo distrito de Nova Jérsia inclui o MetLife Stadium, palco da final do Mundial, confrontou Lyons, questionando se a ICE se comprometeria a suspender as suas operações nas imediações dos estádios e outros eventos da FIFA. A representante alertou que a confiança dos visitantes está a «cair a pique, pondo em risco o Campeonato do Mundo».
Em resposta, Todd Lyons insistiu que a ICE está «empenhada em garantir a segurança dessa operação» e «na segurança de todos os participantes, bem como dos visitantes».
Nellie Pou retorquiu: «Percebe que se [os adeptos] sentirem que podem ser injustamente detidos ou retirados, isso irá prejudicar todo este processo?». Lyons respondeu afirmativamente, reiterando o compromisso da agência: «Sim, senhora, e a ICE está dedicada a garantir que todos os que visitam as instalações terão um evento seguro e protegido».
A controvérsia intensificou-se devido às circunstâncias das mortes de Good e Pretti, ambos cidadãos americanos alvejados múltiplas vezes. A sua morte, juntamente com a ação mais ampla da ICE em Minneapolis — onde cerca de 3000 agentes foram destacados por ordem de Trump —, gerou uma onda de indignação por todo o país. Parte desses agentes já abandonou a cidade.
A preocupação com a segurança no torneio, que será coorganizado por Canadá e México, não é nova. No mês passado, o grupo de adeptos Football Supporters Europe (FSE) manifestou à BBC Sport estar «extremamente preocupado com a crescente militarização das forças policiais nos EUA».
Na mesma linha, o Partido Democrata Europeu (EDP) admitiu a possibilidade de solicitar às federações nacionais de futebol que considerem a retirada do torneio, caso não sejam dadas garantias de segurança. Por sua vez, a FIFA declarou que a segurança de adeptos e participantes é a sua «máxima prioridade», assegurando que trabalha em estreita colaboração com as autoridades locais «para planear, coordenar e implementar medidas de segurança abrangentes para o torneio».
Recorde-se que os Estados Unidos vão receber 78 jogos em 11 cidades, enquanto o Canadá e o México serão anfitriões de 13 partidas cada.