James Rodríguez quer representar a Colômbia no Mundial 2026
James Rodríguez quer representar a Colômbia no Mundial 2026 - Foto: IMAGO

Ex-FC Porto sem arrependimentos: «A magia da vida é poder cometer erros»

James Rodríguez é reforço do Minnesota United, da MLS, num ano de Mundial, esperando representar a Colômbia por uma última vez... e contra Portugal

James Rodríguez, agora com 34 anos, é o mais recente reforço do Minnesota United, da MLS, e numa entrevista franca ao The Athletic abordou as críticas, os erros de percurso e a motivação que o move, numa altura em que se prepara para o seu terceiro Campeonato do Mundo. O internacional colombiano, uma das figuras mais polarizadoras do futebol mundial, está ciente da perceção pública sobre a sua carreira, marcada por um início promissor que deu lugar a uma série de saídas abruptas e potencial por cumprir. Desde que assinou pelo Real Madrid em 2014, o médio representou sete clubes em sete países diferentes, mantendo, ainda assim, tem o estatuto de ser um dos principais jogadores sul-americanos.

James falou abertamente sobre as escolhas que alimentaram os seus críticos, logo após a sua apresençação nos EUA, mas sem pedir a simpatia de ninguém. «Penso que, obviamente, houve mais coisas boas na minha carreira do que más», afirmou. «Se fôssemos perfeitos, a vida não teria magia, certo? Essa é a magia da vida: poder cometer erros». Apesar de uma carreira recheada de altos e baixos, o colombiano recorda a sua passagem pelo Real Madrid, onde envergou a mítica camisola 10, com números expressivos: «37 golos e 42 assistências». Também os adeptos do Bayern guardarão boas memórias da sua passagem de duas épocas pela Bundesliga, onde, para muitos, se viu a última grande versão do jogador ao mais alto nível.

Seguiram-se passagens por Everton (Inglaterra), Al-Rayyan (Qatar), Olympiakos (Grécia), São Paulo (Brasil), Rayo Vallecano (Espanha) e Club León (México). Sobre estas escolhas, James confessou ter seguido o coração. «Não todos, mas fui para clubes que não eram o caminho certo para mim, mas era o que o meu coração me dizia para fazer», admitiu. «Aprendemos com todas essas coisas e, à medida que envelhecemos um pouco, percebemos onde errámos e onde falhámos. Depois, tentamos não seguir o mesmo caminho outra vez», disse o colombiano, que chegou à Europa pelas mãos do FC Porto em 2010, proveniente do futebol argentino, antes de rumar ao Mónaco e depois ao Real.

James Rodríguez assinou um contrato válido com o emblem de Minnesota até ao Mundial 2026, com opção de renovação até dezembro. Enquanto na Colômbia se debatia a sua ausência de um clube em janeiro, o jogador garante que se manteve focado na preparação física com um treinador pessoal. «Eu estava mais do género: ‘Calma, tudo se vai resolver’», disse, acrescentando: «Nunca fui de responder a todas essas coisas, porque sempre pensei que se fala é dentro de campo. Se me pedissem para jogar um jogo agora mesmo, estaria pronto.»

A reação pública à sua chegada à MLS tem-se focado na curta duração do contrato — restam 15 jogos até ao Mundial — e na sua suposta aversão a cidades frias, um tema que se tornou viral após uma entrevista em 2020 sobre os invernos de Munique e que foi usado pelos seus críticos. James Rodríguez abordou as críticas que o têm perseguido ao longo da carreira, esclarecendo de vez a famosa história sobre o frio em Munique e a sua relação conturbada com a imprensa colombiana, que acusa de distorcer as suas palavras.

O internacional colombiano refutou a ideia de que deixou o Bayern devido às baixas temperaturas, uma narrativa que surgiu após uma conversa com Daniel Habif, há seis anos. Na altura, James comentou em tom de brincadeira: «Havia dias em que ia trabalhar às 9 da manhã, ligava o carro e via a temperatura: -28 (Celsius). Perguntava-me: 'O que estou eu a fazer aqui neste frio?'» Agora, o jogador insiste que essa declaração foi mal interpretada. «Disse-o mais como uma piada. Uma brincadeira», afirmou. «Mas a imprensa distorceu tudo e disse que eu saí por causa do frio. Nada poderia estar mais longe da verdade. Não saí por causa do frio. Vivi em Munique. Para mim, frio ou calor — estar aqui [no Minnesota] ou no calor de Barranquilla é igual, porque só penso em jogar.»

O verdadeiro motivo da sua saída da Alemanha foi outro. «Saí por uma razão diferente: porque tinha um acordo praticamente fechado com o Atlético Madrid. Queria viver em Madrid. A minha filha estava lá. Mas isso agora é passado», revelou, acrescentando que na Colômbia «interpretaram mal» a sua piada sobre Munique.

«Críticas são gasolina que me alimenta»

Depois falhar o Mundial 2022, James espera ser convocado para representar o seu país uma última vez, sendo que a Colômbia está no mesmo grupo de Portugal. «Os meus críticos provavelmente pensam que os insultos me vão magoar ou afetar. É o contrário. São a gasolina que me alimenta para fazer as coisas que quero e alcançar o que me propus. Aqueles que duvidam de mim são os que me dão aquela faísca para entrar em campo e fazer as coisas bem. Eles acendem essa chama. O que não percebem é que, na verdade, me estão a fazer um favor.»

Para James Rodríguez, representar a seleção nacional transcende a glória pessoal, sendo a mais pura expressão do dever. O jogador colombiano explicou o sentimento único que o invade sempre que veste a camisola do seu país, independentemente da fase que atravesse no seu clube. «Quando se joga pelo país, o sentimento é diferente, é algo completamente distinto», afirmou Rodríguez. O médio descreveu a atmosfera vivida nos dias de jogo da Colômbia, um país que para literalmente para ver a sua seleção. «Vai-se ao estádio e veem-se todas as camisolas amarelas, reconhece-se as pessoas que querem ver-nos jogar... Vê-se que não é só ali, mas também nas suas casas, nas pequenas cidades. Na Colômbia, as pessoas correm literalmente para uma televisão só para ver a Colômbia jogar», explicou.