A destruição provocada pela depressão Kristin no Parque de Esposições da Marinha Grande, que era a casa do MG Volei - Foto: Miguel Nunes
A destruição provocada pela depressão Kristin no Parque de Esposições da Marinha Grande, que era a casa do MG Volei - Foto: Miguel Nunes

Clube tinha estreado ‘casa’ há um mês, Kristin destruiu-a

MG Volei nasceu há pouco mais de um ano e meio e agora sofreu duro golpe

O caso do quase nonagenário SC Marinhense está longe de ser o único preocupante na Marinha Grande. E se a casa do basquetebol e do hóquei veio abaixo com quase 60 anos, aquela que abrigava o MG Volei durou bem menos ao serviço do clube.

«Tínhamos acabado de nos mudar para aqui há um mês. Andávamos todos contentíssimos porque finalmente tínhamos uma casa. E de repente acontece uma coisa destas», lamenta Fabiana Guarda, fundadora do MG Volei, num dos pavilhões do Parque de Exposições da Marinha Grande, uma das estruturas mais destruídas pela depressão Kristin.

Antes da passagem da depressão Kristin, esta era a cara da casa do MG Volei

A primeira preocupação dos responsáveis do clube foi proteger o piso, que obrigou a um investimento de 80 mil euros, mas uma semana depois do ocorrido são muito mais as dúvidas do que as certezas.

«Vivemos um choque muito grande. Acho que ainda estamos naquela fase da adrenalina e não temos bem a noção daquilo que nos está a acontecer. Porque neste momento a nossa principal preocupação é tentar arranjar sítios para pôr os atletas a treinar e para conseguir jogar. Porque temos jogos marcados, há campeonatos a decorrer e que é um bocadinho esse intuito que nos move neste momento, explica a dirigente do clube que foi fundado em julho de 2024.

Quem vai pensar nas crianças?

A realidade atual é que os cerca de 130 atletas do MG Vólei, divididos por 10 equipas, dos minis aos seniores, voltaram muito para trás. Porque não só deixaram de ter o pavilhão que começavam a chamar de casa, como todas as alternativas em redor.

Quando se olha para a realidade no concelho da Marinha Grande, neste momento, percebe-se que milhares jovens vão ter de interromper a atividade desportiva por falta de estruturas.

Ao andar por toda a cidade, é difícil encontrar uma casa que tenha ficado intacta. É fácil de adivinhar, por isso, que os equipamentos desportivos foram também muito atingidos. E o único pavilhão que ficou de pé, o da escola Nery Capucho, foi transformado em centro de logística.

Ou seja, se nas casas o clima é de angústia geral, também o escape do desporto desaparece para os mais jovens. Essa é uma preocupação de todos os agentes desportivos. E é das principiais ideias defendidas por Fabiana Guarda.

«Nós temos aqui 130 crianças a jogar. Mas há também o futebol, o basquetebol, o hóquei, o andebol… Há uma série de valências que eram asseguradas pelos clubes porque a autarquia não pode dar resposta a tudo. Mas agora nem nós podemos fazê-lo», alerta, enunciando a dúvida que a inquieta.

O MG Volei investiu 80 mil euros no piso para quatro campos e dificilmente vai evitar perder todo o investimento

«O que vai ser destes miúdos e miúdas? O meu maior receio é que eles fiquem sem praticar desporto, que é o que se perspetiva se nada for feito rapidamente. Os clubes estão de mãos e pés atadas e é preciso que a Câmara também se preocupe em resolver este problema», apela.

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