Tomás Tavares mantinha uma relação especial com Bruno Lage, que o lançou no plantel principal do Benfica (Foto A BOLA)
Tomás Tavares mantinha uma relação especial com Bruno Lage, que o lançou no plantel principal do Benfica (Foto A BOLA)

«A saída de Bruno Lage prejudicou-me, tal como a outros jovens que estavam no plantel»

O Benfica é uma página virada na carreira de Tomás Tavares. Acredita que a atual equipa vai dar a volta por cima

— Depois de dez épocas, saiu do Benfica por um preço baixo [2 milhões]. Ficou alguma mágoa?

— Não, não houve nenhum ressentimento, porque já tinha saído por empréstimo nas duas épocas anteriores, isto após me ter estreado pela equipa principal e na altura em que saí até foi numa situação bastante boa tendo em conta que me tinha lesionado no ligamento cruzado.  E ainda hoje considero que tenha sido uma boa decisão. E não, não fiquei com nenhuma mágoa. Já tinha passado algum tempo de me ter estreado e de ter feito a época na equipa principal do Benfica.

— Pensa que aquele jogo em Lyon para a Champions de 2019/20 (1-3) marcou-o negativamente?

— Não. Qualquer dos jogadores que tenha atuado foi atacado. O Benfica não está habituado a perder, seja por 1-0 ou 2-0. Por vezes, até um empate é considerado uma derrota com um clube como o Benfica. Qualquer jogador quer ter um jogo sempre perfeito mas isso nunca vai acontecer. Somos humanos, não somos máquinas, há jogos que não vão correr bem. Mas nunca me senti muito atacado, pelo contrário. Na altura, nessa época, senti que as pessoas me apoiavam, me ajudavam e que gostavam de mim. Hoje em dia com os jovens a estrearem-se cada vez mais novos nos planteis principais qualquer jogadora está preparado para jogos menos bons e para críticas. E sabemos lidar com isso.

— A saída de Bruno Lage, pela mão de quem se estreou, acabou por prejudicá-lo?

— Sim. Foi uma saída que marcou e afetou, digamos assim, os jogadores mais jovens que estavam na equipa principal do nessa altura. Para a época a seguir só ficou o Nuno Tavares e o Ferro. De resto, eu, o Jota e o Florentino que tinha feito duas épocas seguidas no plantel principal quase sempre a titular, saímos por empréstimo. Sem dúvida que a saída do mister Bruno Lage afetou os jovens que estavam na equipa principal nessa altura.

— No Benfica falta paciência e tempo para que os jovens se afirmam afirmem mais? Tem a ver com a grandeza do clube?

— Como já disse, o Benfica é um clube de grande exigência, está habituado sempre a ganhar e vive dos resultados. Mas crescemos com os minutos que temos e em que somos postos à prova e é preciso tempo. Cada um tem o tem o seu tempo. Há jogadores que em seis meses, como já aconteceu fazem seis meses e e saem porque já estavam mais preparados; há outros  que levam mais o seu tempo, mas sem dúvida temos que temos que pensar no processo, no processo de formação dos jogadores. Não creio que seja muito correto meter jovens um jogo ou dois e é dizer que depois, afinal, não estão preparados. No primeiro jogo há sempre aquele nervosismo. Em qualquer jogo vai haver erros e depois é trabalhar sobre o sobre os erros corrigir. Mas sem dúvida é preciso dar tempo aos jovens e acreditar, caso se queira apostar neles. Portugal tem das melhores das melhores formações da Europa e do e do mundo. Os jovens têm de ser postos à prova porque é a partir daí que evoluem e a confiança começa a ser construída.

— Como analisa o sucesso de Gonçalo Ramos, que foi seu colega na formação do Benfica?

— O Gonçalo, independentemente de ter chegado mais tarde ao plantel principal ou de ter ficado mais tempo no Benfica ou de não terem apostado nele numa primeira fase, sempre foi um colega que sempre deu tudo em qualquer escalão, em qualquer jogo. E sem dúvida que ia ter o seu tempo de mostrar que ia ser um avançado de grande qualidade, como mostrou no Benfica e continua a fazê-lo. E mostra que em qualquer nível. Sempre trabalhou para estar preparado para qualquer nível e oportunidade. É uma alegria que de qualquer um da nossa geração ao vê-lo nos maiores palcos e a fazer a sua história, escrever o seu nome cada vez mais.

— À distância como é que analisa o atual momento do Benfica, nomeadamente a contestação antes dos dois últimos encontros?

— Vou vendo os jogos e não digo analisando porque estou no meu clube e não tenho de o fazer. Tenho é de me analisar a mim, aos meus jogos e a minha liga. Mas, sem dúvida, é um período que nenhum benfiquista. E acredito também os jogadores do Benfica não querem estar neste período. Mas nem sempre as coisas saem como queremos. No entanto, é preciso só apenas ter têm imensa qualidade e as coisas vão acabar por voltar ao normal, que é o Benfica a ganhar e a jogar um bom futebol. É um clube grande exigência e vive de resultados. Mas sem dúvida que vai voltar a praticar bom futebol, como já fez esta época.  Há uma distância grande para o primeiro classificado, mas o Benfica é uma equipa com imensa capacidade e a qualquer momento pode voltar ao topo, seja a que distância esteja neste momento. As coisas vão voltar a normalizar e o Benfica vai voltar às vitórias consecutivas.