Frederico Varandas, 46 anos, anunciou a recandidatura nos Prémios Stromp, em dezembro - Foto: MIGUEL NUNES
Frederico Varandas, 46 anos, anunciou a recandidatura nos Prémios Stromp, em dezembro - Foto: MIGUEL NUNES

Goleada à Varandas nas eleições do Sporting

Merecia o Sporting e Varandas que o concorrente (se ainda a tempo de todos os requisitos para formalizar a candidatura) tivesse outro peso. Vem aí goleada por ‘falta de concorrência’ e pelo trabalho desenvolvido. Este é o ‘Nunca mais é sábado’, espaço de opinião de Nuno Raposo

No dia 14 de março há eleições no Sporting, corrida eleitoral que será solitária, quando muito com Frederico Varandas a ter apenas um concorrente, que tem até quinta-feira para formar listas ao Conselho Diretivo, Mesa da Assembleia Geral e Conselho Fiscal e Disciplinar, reunir assinaturas e formalizar a candidatura. O desfecho, não há dúvidas, será uma goleada de Varandas para um terceiro mandato que em 2018 poucos vaticinavam, depois dum segundo que nessa altura também se julgava impossível, mais ainda que fosse ganho com mais de 85 por cento dos votos…

Varanda corre agora o risco de conseguir chegar aos 90%, não porque sejam eleições coreanas como chegaram a ser num passado de má memória na vida leonina, não por défice democrático que essas percentagens muitas vezes traduzem mas porque estamos no contexto futebol e de clube que em oito anos ganhou no futebol de 11 seniores masculinos quase tantos campeonatos nacionais como nos anteriores 40 — 1979/80, 1981/82, 1999/00 e 2001/02; 2020/21, 2023/24 e 2024/25.

No verão quente de 2018 que se seguiu à invasão da Academia, à debandada de jogadores e à destituição de Bruno de Carvalho, foram seis os concorrentes — João Benedito, José Maria Ricciardi, Rui Jorge Rego, Dias Ferreira, Torres Pereira além, claro, de Frederico Varandas, que venceu com 42,32 por cento dos votos:

Frederico Varandas, 42,32%

João Benedito, 36,84%

José Maria Ricciardi, 14,55%

Dias Ferreira, 2,35%

Tavares Pereira, 0,9%

Rui Jorge Rego, 0,51%

No final do inverno de 2022, o inicio duma primavera varandista que acrescentaria um bicampeonato com uma dobradinha a reforçar os resultados desse ato eleitoral de março:

Frederico Varandas, 85,9%

Nuno Sousa, 7,3%

Ricardo Oliveira, 2.95%

De seis passaram a três candidatos, agora preparam-se dois para ir às urnas, ainda que um deles tenha espinhosa missão de em poucos dias conseguir todos os requisitos legais para formalizar a candidatura.

Eleições de candidato único acabam sempre por ser ato que não se saúda, daí que aparecer concorrência é de salutar. Mas merecia o Sporting que o concorrente tivesse outro peso, até para o bem de Frederico Varandas, que certamente encararia esse desafio como mais tentador. Porque o que se adivinha é mesmo um goleada das antigas, que se justifica também pela fraca concorrência mas sobretudo pelo trabalho desenvolvido.

O projeto de Varandas merece chegar a 2030, porque só em 2030 se cumpre. Porque é nessa altura que as infraestruturas, sobretudo no Estádio José Alvalade e área envolvente, terão a dimensão do clube; porque financeiramente há solidez como raramente houve.

Desportivamente os sucessos são disso consequência. E também porque a política no futebol tem sido acertada desde 2020, depois da confusão dos primeiros dois anos do primeiro mandado do atual e futuro presidente. Após o título de 2020/21 houve condições para manter Amorim mesmo no 4.º lugar de 2023 que antecedeu o… bicampeonato.

Confiança no treinador e aquisições cirúrgicas com forte investimento foi estrada de conquistas. E os sinais dados nos últimos dias do segundo mandato são indicadores de que o futebol leonino, com um treinador campeão mas que não o do início do projeto (Rui Borges) e com um novo diretor geral (Bernardo Palmeiro), não se desvia da política consolidada. A renovação, difícil, de Francisco Trincão a juntar às anteriores mas também recentes de Pedro Gonçalves, Gonçalo Inácio e Diomande, que também terminavam contratos em 2027, são disso claro e muito positivo sinal. Melhor mesmo para Varandas seria começar o Projeto 2030 com o tricampeonato. O clássico de segunda-feira para isso será importante, mas para as eleições leoninas não vai em nada implicar.