«Flick será o meu treinador, mas Deco não será o meu diretor desportivo»
Víctor Font, pré-candidato à presidência do Barcelona, confirmou que Hansi Flick será o seu treinador caso vença as eleições, mas afastou Deco do cargo de diretor desportivo. Numa entrevista ao programa El Món a Rac1, o empresário, que foi o segundo candidato mais votado no último ato eleitoral, apresentou as linhas mestras do seu projeto e lançou duras críticas à atual gestão de Joan Laporta.
«Os sócios e as sócias têm de escolher entre um modelo presidencialista de gerir o clube como nos anos 80-90, com os Gil, Caneda... ou um modelo profissional de gestão», afirmou, justificando a necessidade de mudança com os «enganos» de Laporta e a delicada situação económica do clube.
O pré-candidato detalhou o seu projeto desportivo, garantindo a aposta no técnico alemão. «O meu treinador será Hansi Flick, mas o Deco não será o meu diretor desportivo», declarou, explicando que pretende criar uma estrutura que «encaixe melhor com Hansi Flick» e que não sofra a influência de figuras sem cargo oficial, como Alejandro Echevarría. «O Deco é um cargo de confiança de Laporta e de Alejandro Echevarría», acrescentou.
Font não revelou o nome do seu diretor desportivo, justificando que este «tem contrato em vigor», mas prometeu apresentar «um projeto de futebol trabalhado» na próxima semana. Para o empresário, a estabilidade é fundamental para o sucesso de um treinador. «O que o Hansi não quer é que, uma semana antes do início da temporada, saia o Iñigo Martínez porque temos de baixar a massa salarial», exemplificou.
As críticas à gestão de Laporta foram extensas, abrangendo a área financeira e social. «Há muitos anos que temos a situação económica que temos, mesmo na era de Bartomeu. Agora, levamos cinco janelas de transferências sem poder inscrever um jogador», lamentou. «Este presidencialismo faz com que tenhamos de ir buscar o dinheiro fácil ao Congo, ou depender dos turistas, porque não são capazes de extrair o potencial que o Barça tem», argumentou.
Font acusou ainda a atual direção de várias práticas questionáveis, mencionando o pagamento de 50 milhões de euros a um intermediário no patrocínio da Nike e a escolha de parceiros comerciais controversos, como a NewEra, cujo proprietário é «um fugitivo da justiça moldava». Criticou também a gestão da construção do Spotify Camp Nou, a cargo da Limark, afirmando que a obra não foi «a mais rápida» nem «a mais barata». «Tenho um sonho que é o Barça continuar a ser do seu povo. É um caminho muito duro, mas sou perseverante», concluiu Víctor Font.