Afinal, o tamanho conta
Começam hoje os Jogos Olímpicos de inverno com a participação de três portugueses o que perfaz 17 no total. Sem tradição nos desportos de gelo, onde salvo as trágicas alterações climáticas, não é frequente, não admira que olhemos com curiosidade para algumas estranhas modalidades e com surpresa para alguns dos relatos que vão chegando de Itália, onde se realiza o evento.
Esta semana voltou à baila a polémica levantada quanto ao tamanho do pénis dos atletas e a Agência Mundial Antidoping não teve outro remédio se não prometer que iria investigar as denúncias se existissem provas. Em causa estão as já famosas injeções penianas de ácido hialurónico que prometem aumentar a circunferência do pénis em um ou dois centímetros, o que, juram os especialistas, faz toda a diferença na performance dos atletas, pois tal aumentaria a área de superfície dos fatos, o que, segundo a FIS, a Federação Internacional de esqui e snowboard, poderia aumentar o tempo de voo dos atletas.
Não é a primeira vez que alguns atletas tentam contornar as regras, como aconteceu com os medalhados olímpicos noruegueses Marius Lindvik e Johann Andre Forfang suspensos por três meses após adulteração de fatos com fios reforçados.
Antes de cada temporada, os atletas são submetidos a medições com scanners corporais, apenas de roupa interior elástica e justa e os fatos de competição têm uma tolerância de 2 a 4 centímetros.
Mesmo com todo este rigor, há sempre quem tente contornar as regras e o 'doping' seja ele de que forma for estará sempre um passo à frente.
Não esquecerei nunca, quando, nums Jogos Paralímpicos, ouvi falar pela primeira vez de boosting, que é como quem diz autoflagelação. Proibido, obviamente. Ainda assim, há muitos relatos em surdina que vários atletas paraplégicos a ela recorrem, uma vez que não causam dor, pois afetam apenas zonas com ausência de sensibilidade.
Esta lista de 'doping' é arrepiante: obstruir a saída da sonda urinária para causar distensão excessiva da bexiga, dar marteladas nos dedos dos pés até os partir, atar objetos pesados aos testículos e puxar violentamente e outros, são alguns dos exemplos discretos, secretos e omitidos. Para surtir o efeito desejado, um aumento de 10 a 15% de no desempenho físico, estas técnicas são realizadas uma duas horas antes da competição.
Perante isto, confesso, que o caso das injeções em Milão, não me impressiona. Afinal, o tamanho conta, certo, mas só dura 18 meses.