Académica realista abre a fase de subida da Liga 3: «Percebemos a grandiosidade do clube»
Académica e Vitória SC B dão o pontapé de saída na fase de subida da Liga 3, a partir das 20h desta sexta-feira. António Barbosa comanda os estudantes que sonham passar o exame do terceiro escalão e regressar aos campeonatos profissionais, quatro anos depois.
O técnico de 43 anos, que comanda a briosa desde outubro de 2024, guiou o clube até ao terceiro lugar da Série B esta época, depois de ter falhado a fase de subida por uma unha negra na temporada passada. António Barbosa explica o projeto da Académica, o lançamento de jovem de 15 anos e as ambições da briosa para a fase de subida, em entrevista A BOLA.
—A subida de divisão é um objetivo da Académica?
— Nesta fase de subida há equipas com muita capacidade económica para investir e que apostaram declaradamente para subir, quer na nossa série, quer também na série A. Temos a ambição de lutar em todos os jogos para ganhar. Queremos continuar a criar uma equipa ambiciosa, determinada e representativa daquilo que os adeptos querem ver e da história do nosso clube. Vamos atrás das oportunidades que criamos com muito trabalho, muita dedicação e acima de tudo muita vontade dos nossos jogadores. Esse é o nosso foco para esta nova etapa e é com isso que vamos atacar o próximo jogo e o próximo adversário.
— Na época passada, a Académica empatou na última jornada da série B e não se conseguiu qualificar para a fase de subida...
—Quando chegámos à Académica [em setembro de 2024], estávamos em penúltimo lugar com um ponto. Fixámos apenas três jogadores em relação à época passada e com muita paciência e astúcia conseguimos encontrar no mercado soluções que representassem aquilo que queríamos. Fomos a última equipa a arrancar e a construir o plantel. Construímos um plantel muito curto, apostámos muito em alguns jogadores e concentrámo-nos em criar grande competitividade interna e espaço para lançar jovens jogadores. Acertámos nos homens certos dentro daquilo que pretendíamos para fomentar uma forma de ser e de estar que valoriza a ambição da Académica.
—O lançamento do Tiago Soares, de apenas 15 anos, já estava planeado?
—Temos vários jogadores que têm vindo a trabalhar connosco da formação. Procurámos valorizar os nossos jovensm felizmente temos tido muitos a aparecer e a serem lançados. Falamos de uma visão horizontal da Académica, onde entra o coordenador da formação, o nosso diretor-desportivo, David Caiado, e o treinador da equipa principal. Identificámos o potencial e foi trabalhado a longo prazo, até porque é um jovem que precisaria de fazer uma avaliação médica para ser autorizado a jogar nesta liga. Já tínhamos esta definição a longo prazo na eventualidade de conseguirmos ter espaço e oportunidade, e fruto também do trabalho dele. O crescimento de uma época para a outra e a consistência no trabalho que tem sido feito de forma longitudinal e transversal permitiu que existisse espaço e oportunidade para lançar um jogador tão jovem. Penso que é o mais jovem da Académica a estrear-se na equipa principal e na Liga 3.
— A Académica não está nos campeonatos profissionais desde 2022. Há alguma pressão inerente à história do clube?
— Criamos a pressão diariamente, desde o nosso presidente até à última pessoa que trabalha com a equipa. Essa sim é uma exigência muito marcado. Percebemos e sentimos a ambição dos adeptos, mas também sabemos que, neste momento, há equipas com outra capacidade e outras possibilidades. Percebemos a grandiosidade do nosso clube, mas também o momento em que estamos e que vivemos. A nossa grande ambição é que os adeptos se sintam reconhecidos em todas as ações dentro de campo, em todos os jogos. O resto das responsabilidades têm de ser, obviamente, para aqueles que têm maior capacidade neste momento, não negligenciando as nossas, nem subestimando as nossas ambições. Queremos jogar para ganhar e continuar com esta determinação que apaixonou os nossos adeptos e aproximou a cidade à equipa. Essa é que é a nossa verdadeira ambição.
— É mais difícil preparar os jogos contra equipas que já defrontou duas vezes ou contra aquelas com quem vão jogar pela primeira vez?
— Da experiência que tenho dos diversos play-offs de acesso à Segunda Liga, por vezes as equipas mudam a sua forma de jogae. Há sempre um conhecimento maior dos jogadores da mesma série, mas já fui à fase de subida na série A, conheço os adversários e já treinei algumas equipas. Começa uma competição nova, revemos tudo o que temos. Partimos quase do zero, procurando perceber se há alterações ou não naquilo que são os comportamentos dos nossos adversários, quer os conheçamos, quer não.
—O primeiro adversário na fase de subida é o Vitória de Guimarães B, orientado pelo segundo treinador há mais tempo no cargo…
— O Vitória B é a nata das natas. É uma equipa que ficou em primeiro numa série extremamente forte, com equipas com grande poder económico e grandes jogadores. É uma equipa muito bem orientada, com jogadores muito rápidos na frente, que procura chamar a pressão para depois acelerar na profundidade e jogadores com grande entrega que correm o tempo todo com intensidade. É uma equipa extremamente madura, apesar de ser jovem. Todos os que estão na equipa B sonham em chegar à equipa A. Vão claramente jogar para ganhar e tirar proveito daquilo que têm feito, pela capacidade de trabalho e pelo investimento que é fortíssimo nas equipas B. Toda a gente sabe que são sempre dos maiores investimentos em qualquer série.
— Quais são os objetivos a curto e longo prazo do projeto da Académica?
— Queremos continuar este desenvolvimento, ou seja, criar uma Académica mais sustentável, que produz jovens valores e que joga um futebol ofensivo. Queremos continuar a desenvolver uma equipa altamente combativa e ambiciosa em quem os adeptos se revêem, perpetuar esta dinâmica de vitória e ambição e fazer a cidade apaixonar-se pela equipa. É isso que estamos a conseguir, fruto da atitude dos nossos jogadores, são sempre eles os obreiros de todo o sucesso desportivo.