Schmidt e Farioli: uma renovação que os une?
Não há clubes iguais nem treinadores iguais, mas é natural que muita gente faça a comparação entre a recente renovação de Francesco Farioli com o FC Porto e a renovação de Roger Schmidt com o Benfica. Afinal, tanto um como o outro tiveram o reconhecimento dos respetivos presidentes antes de ganharem alguma coisa pelos respetivos clubes.
No caso do alemão, viu Rui Costa dar-lhe uma extensão de duas épocas face ao vínculo que estava em vigor, que era apenas de duas temporadas; já o italiano estendeu o contrato por mais uma época perante as três que tinha no papel. Feitas as contas, tanto um como outro fariam/farão, caso as coisas tivessem corrido/venham a correr bem, quatro anos nas águias e dragões, respetivamente. Com uma diferença, porém: se cumprir o contrato, Farioli ficará até ao fim do mandato de André Villas-Boas; Schmidt prolongou uma ligação que iria temporalmente além das eleições do Benfica - que o atual líder dos encarnados venceu.
A decisão de Rui Costa foi criticada pelo timing, mas os protestos mais vocais só apareceram no final da época e não no momento próprio, porque em março de 2023 (mês da renovação) começou a falar-se com insistência no interesse de equipas inglesas e alemãs nele. O problema é que aquela decisão parece ter criado um momento de viragem, porque depois disso nunca mais o Benfica voltou aos resultados e exibições que tanto encantaram o Terceiro Anel.
Vejo a renovação do italiano pelos azuis e brancos com outra perspetiva: este gesto tem mais simbolismo do que a renovação de Schmidt. Afinal, Francesco Farioli tinha mais duas épocas e meia pela frente (o germânico só tinha uma e meia) e apesar dos 7 e 10 pontos que leva na Liga sobre Sporting e Benfica, por resta ordem, apenas cumpriu meia temporada - e em contexto de Liga Europa e não de Liga dos Campeões, como aconteceu com o alemão.
Gestos como o de Villas Boas são avaliados como os jogos à segunda-feira: se o FC Porto terminar a época como começou, será considerado um bom ato de gestão porque permitiu ainda mais estabilidade e transmitiu a todos a ideia de que este é o special one; se começar a escorregar, à semelhança do dramático final de época no Ajax em 2024/25, a renovação poderá ser encarada como uma precipitação.
Os adeptos do FC Porto querem que resulte porque assim será uma forma de mostrar a superioridade face ao rival em circunstâncias semelhantes; os do Benfica esperam que os azuis e brancos passem pelo mesmo que eles passaram. O futebol também é feito disto.
ELEVADOR DA BOLA
A subir
Froholdt: Foi eleito o Jogador do Ano na Dinamarca, uma seleção que é sempre um caldeirão de qualidade. Ver rivais como o leão Hjulmand deixarem-lhe rasgados elogios é a prova de que o talento supera trivialidades. Pode vir a ser o jogador do ano em Portugal.
Estagnado
Fábio Veríssimo: O árbitro de Leiria consegue o pleno: o Benfica criticou a sua nomeação para a Supertaça Cândido de Oliveira frente ao Sporting e agora o FC Porto condena a sua escolha para o clássico com o Benfica. Motivos diferentes, intenção semelhante: pressionar.
A descer
Jorge Jesus: O Al Nassr soma três derrotas e um empate nos últimos quatro jogos no campeonato saudita e já está a sete pontos do líder Al Hilal. Apesar dos golos da dupla João Félix/Ronaldo, Jorge Jesus não está a conseguir fazer a diferença na elite saudita.