Francisco Farioli projetou o jogo frente ao Sporting - Foto: FC Porto
Francisco Farioli projetou o jogo frente ao Sporting - Foto: FC Porto

Reação pós-Casa Pia, as palavras de Villas-Boas, más entradas e a ineficácia dos extremos: tudo o que disse Farioli

Treinador do FC Porto fez a antevisão ao clássico com o Sporting

Depois de orientar o derradeiro ensaio para o clássico com o Sporting, agendado para segunda-feira, às 20h45, no Estádio do Dragão, Francesco Farioli marcou encontro no auditório do Centro de Treino e Formação Desportivo Jorge Costa, no Olival, para projetar o duelo com os leões.

— O que espera deste encontro com o Sporting, depois da derrota frente ao Casa Pia, num jogo em que o Dragão vai estar, uma vez mais, cheio de adeptos a puxar pelo FC Porto?

— Penso que o mesmo de sempre. Uma equipa com atitude, uma equipa com grande espírito, com o desejo de entrar em campo para abordar o jogo com o pé no acelerador. É o que temos feito toda a época e o que vamos fazer amanhã também. Sobre o Dragão cheio, penso que é mais uma prova do espírito do desejo dos nossos adeptos estarem connosco, para nos dar realmente o impulso certo. Penso que o último dia após o jogo já foi uma declaração bastante importante de todos os adeptos que estiveram no estádio para mudarmos a página muito rápido e isso honestamente ajuda-nos a abordar esta semana com o estado de espírito certo e amanhã, claro, eles terão um papel fundamental connosco em campo para termos a energia certa, para termos o espírito certo, para sentirmos o apoio em todos os momentos e, claro, do nosso lado temos a grande responsabilidade de tornar o Dragão quente no momento certo.

— Disse no final do encontro de Rio Maior que no dia seguinte, no treino do dia seguinte, queria a mesma energia, a mesma atitude, a mesma qualidade. Como é que foi esta semana do FC Porto?

Foi uma semana muito boa, muito positiva. No dia seguinte tivemos um jogo amigável contra a equipa B. Tivemos o dia de folga e depois construímos a nossa semana normal, ou digamos não normal porque não estamos muito habituados a ter uma semana limpa para preparar um jogo, mas honestamente muito boa atitude, a intensidade na sessão de treino tem sido muito boa, embora por vezes o tempo não tenha facilitado os nossos treinos, mas penso que todos abordaram a semana com a mentalidade certa e agora, claro, a parte mais importante é transferir isso para o jogo de amanhã, mas não tenho dúvidas sobre isso.

 — O presidente André Villas-Boas disse que o Sporting atravessa um melhor momento do que o FC Porto em consequência vossa derrota com o Casa Pia? Concorda com estas declarações?

Penso que as palavras do presidente, se as lermos de uma certa forma ou se as ouvirmos, penso que o contexto é um pouco mais articulado do que isso, porque penso que nas palavras do presidente há, antes de mais, uma declaração sobre a realidade dos dois clubes. Um clube como o Sporting que vem de ser campeão duas vezes seguidas, com a experiência e o orçamento do futebol da Liga dos Campeões e nós, que somos uma equipa, um clube que está a reconstruir um determinado processo, um clube que está a trabalhar arduamente para trazer o FC Porto de volta ao lugar que lhe pertence e é aqui que estamos. Por isso, penso que neste caso, mais do que falar de momento, trata-se do período em que nos encontramos e, depois disso, penso que se fizermos uma pequena verificação da realidade, a 15 de julho, quando começámos a época, todos pagaríamos e assinaríamos com tudo o que temos para estarmos onde estamos hoje. Ou seja, numa boa posição para lutar pelo campeonato, qualificados para os oitavos de final da Liga Europa e também na luta pela Taça de Portugal. Por isso, nesta parte, penso que estamos exatamente onde queríamos estar, onde sonhávamos estar. Estamos, na minha opinião, onde merecemos estar, porque penso que cada ponto que ganhámos, ganhámo-lo com muito esforço e trabalho de todos. Já manifestei a minha gratidão ao clube pelo trabalho que fez nos dois mercados para reforçar realmente a equipa e torná-la sólida, compacta e equilibrada em todas as posições e penso que agora temos todas as ferramentas para jogar as nossas oportunidades, para competir nas três competições, conhecendo, claro, as dificuldades que vamos enfrentar, os desafios que vamos enfrentar, mas, mais uma vez, estamos todos alinhados e na mesma página sobre onde queremos ir, como queremos ir e, especialmente, quem queremos ser nos próximos meses.

— O Moffi e o Fofana estão com condições físicas de se estrearem? E como está o Martim Fernandes, que recuperou de uma lesão?

— Quanto ao Moffi e ao Fofana, estão a trabalhar para voltarem à forma adequada, à forma máxima. É claro que levará algum tempo para os colocar ao nível em que os outros já estão, mas estão a trabalhar bem com todo o departamento de performance também para maximizar cada oportunidade para acelerarem o processo. Por isso, pode ser que amanhã façam parte do jogo, mas depende, mais uma vez, de como o jogo for correr e das últimas horas para eu decidir o onze e, depois, claro, quem se vai juntar ao jogo. E depois quanto ao Martim Fernandes, treinou com a equipa. Saímos do jogo com o Casa Pia com alguns pequenos problemas que gerimos, creio eu, muito bem no início da semana do ponto de vista físico. Hoje tivemos toda a equipa de volta ao relvado para treinar e para estarmos prontos amanhã para estarmos em campo.

— Pergunto-lhe em relação à entrada do FC Porto nos últimos jogos. Nos últimos quatro jogos, em três deles sofreu um golo nos primeiros 15 minutos. Porquê isso tem acontecido, qual é que é a sua opinião em relação ao assunto e o que é que trabalhou com a equipa para conseguir evitá-lo frente ao Sporting?

— É verdade, nos últimos jogos tivemos, não diria uma má entrada porque, por exemplo, no Casa Pia, nos primeiros cinco/seis minutos, tivemos quatro ou cinco remates à baliza, mas na realidade, nos últimos jogos, na primeira bola que o adversário atravessa o campo, marca um golo. Por isso, com certeza, há uma consciência extra que precisamos de colocar aí. Há, claro, algumas coisas que trabalhámos também nesta semana para tentar resolver um par de problemas que enfrentamos ou que acreditamos que poderíamos fazer melhor. Mas, nesta parte, mais uma vez, por vezes as coisas acontecem em diferentes momentos do jogo, em diferentes minutos e, na realidade, para o nível em que estamos a jogar, quando baixamos um pouco a atenção vamos conceder uma oportunidade e, na maioria das vezes, isso pode custar um golo. Por isso, é apenas uma questão de, sabem, apertar um pouco mais a nossa atenção, a nossa energia e estarmos realmente ligados em cada momento ofensivo e defensivo que vamos ter.

— Um dos problemas que tem sido apontado à equipa tem a ver com os extremos, que têm tido pouco golo e falta de definição no ataque. Concorda com esta ideia?
Em termos de números, sim, talvez pudéssemos ter mais alguns golos ou esperaríamos mais alguns golos de certas posições. Na realidade, penso que, sendo um desporto coletivo, muitas vezes, e já o disse várias vezes a partir deste microfone, quando celebramos, por exemplo, o desempenho defensivo da equipa, muitas vezes o mérito vai para os defesas, mas esquecemo-nos do trabalho dos avançados, por exemplo. E penso que, no fim, a parte mais importante é sermos capazes de criar boas oportunidades para marcar e não conceder oportunidades e, depois, quem vai colocar a bola dentro da rede, no fim, não importa realmente. A parte mais importante é gerar e não conceder. Estou muito grato pelo trabalho que especialmente o Pepê e o Borja Sainz têm feito desde o início da época. Eles carregam um peso forte nos ombros durante muitos jogos, jogaram também por vezes com alguns problemas físicos, espremeram realmente tudo para estarem lá. Por isso, do meu lado, em relação a estes dois rapazes em especial, as minhas palavras são apenas palavras de gratidão e, mais uma vez, ficaremos mais do que felizes por vê-los marcar e festejar com eles.