«Sou sincero, não gosto de jogar à direita. Mas se o míster precisar...»
— O Félix chegou ao Lille no último verão, após boas épocas na Madeira e em Barcelos. Podemos dizer que estes primeiros meses em França estão a correr bem?
— Sim, estão a correr bem. Acho que posso sempre fazer mais, mas está a correr como eu esperava. Estou a crescer, a dar continuidade a tudo o que tenho feito nos últimos anos, que era exatamente o que eu procurava: estabilidade para continuar a evoluir. Foi isso que encontrei em Portugal e que queria agora. Para mim, é o mais importante. Estou no caminho certo, mas tenho de continuar a trabalhar.
— Soma 4 golos e 5 assistências em 23 jogos. Esses números não superam as suas próprias expectativas?
— Não diria que superam, porque sempre acreditei muito em mim. Sempre soube do que era capaz de fazer, mesmo quando as pessoas duvidaram um pouco, por ter dado «um passo atrás» na carreira. Foi algo necessário para mim. Mas sinto que ainda posso fazer ainda mais e melhor, é essa a minha motivação diária. O que estou a viver no Lille é fruto do meu trabalho diário. Estou no caminho certo e não sinto que seja uma surpresa.
— Imagino que tenha recebido várias abordagens no último verão… Porquê o Lille?
— Pelo projeto desportivo. Não estava à procura de grandes clubes, ou de ir apenas pelos grandes nomes. Procurava um plano desportivo que me ajudasse a melhorar e a voltar ao mais alto nível. O Lille ofereceu-me isso mesmo, um projeto onde posso crescer. Sei que foi a escolha certa, porque sinto que me podem proporcionar o que preciso para chegar ao mais alto nível, embora esteja num alto nível no Lille. Mas há grandes europeus, onde quero chegar.
— Como tem sido a adaptação ao futebol francês? Quais as principais diferenças que encontrou em relação a Portugal?
— O primeiro mês foi um bocado difícil, o que acaba por ser normal. É um país diferente, uma cultura nova e um futebol completamente distinto. Mas adaptei-me rapidamente, graças aos meus companheiros, ao míster [Bruno Genesio] e ao presidente, que foram impecáveis. Toda a gente me ajudou, foram impecáveis comigo. Diria que a maior diferença para o futebol português é a intensidade. A Ligue 1 é muito mais intensa fisicamente, e essa foi a maior diferença que senti quando cheguei cá.
— Tem compatriotas no plantel, o Tiago Santos e o André Gomes, e ainda o Alexsandro Ribeiro, que passou por Portugal. Eles ajudaram nessa integração?
— Ajudaram muito. Até mais o Alexsandro, no início, porque o Tiago [Santos] ainda estava a recuperar de uma lesão grave. O Alexsandro estava comigo todos os dias, mostrava-me as coisas e apresentava-me as pessoas. O André Gomes, pela grande experiência que tem, também foi fundamental. Falavam muito comigo e facilitaram muito as coisas. Eles os dois foram mais influentes nesse aspeto, porque estavam bem na equipa e a treinar comigo, então ajudaram muito.
— Atua preferencialmente pela ala esquerda, mas também o temos visto jogar pela direita. Adquiriu essa valência aí?
— Vou ser sincero… Não gosto tanto de jogar à direita, porque é completamente diferente. Mas sim, tenho essa polivalência e sou um jogador de equipa. Se o míster precisar, jogo em qualquer lado, porque tenho essa polivalência, até para mais posições. Neste momento já aceito melhor, antes não aceitava muito bem. O míster fala muito comigo, faz-me acreditar que consigo render de forma igual nos dois lados. É algo que já tinha começado a fazer no Gil Vicente, no final da época passada, e que estou a consolidar aqui.