A César o que é de Peixoto
Todas as épocas há treinadores que se destacam; todas as épocas há treinadores que são apontados como a última Coca-Cola no deserto. Desde meados de 2003, após o fulminante início de carreira de José Mourinho, há sempre a esperança de que alguém venha a ser 'o novo Mourinho'. Seja porque as suas equipas jogam muito, seja pelo discurso impactante, seja porque todos sonhamos que, um dia, um novo D. Sebastião apareça por entre o nevoeiro. Porém, até agora, 23 anos depois, ninguém chegou ao patamar do velho Mou. Carlos Carvalhal, Vítor Pontes, José Peseiro, José Couceiro, Domingos Paciência, André Villas-Boas, Leonardo Jardim, Marco Silva, Nuno Espírito Santo, Paulo Fonseca e Ruben Amorim carregaram (e alguns ainda carregam) o peso de, um dia, poderem chegar onde Mourinho chegou.
Sejamos mais modestos e pensemos apenas nos treinadores portugueses que, daqui a quatro ou cinco anos, poderão estar no topo dos topos. E não falo, claro, de Abel Ferreira, pois já lá está. Nem, obviamente, de Jorge Jesus, Sérgio Conceição, Ruben Amorim ou Rui Borges. Falo de homens que estão ainda a meio da escadaria que os pode (ou não) levar ao sucesso mais elevado. Luís Pinto (V. Guimarães), Hugo Oliveira (Famalicão) e Vasco Botelho da Costa (Moreirense), por exemplo, estão apenas a subir os primeiros degraus. Deixemo-los, para já, em paz.
Falo de César Peixoto. Começou a carreira de treinador com muitos a apontarem-lhe demasiados estigmas às costas: «ah, é da Gestifute; ah, é marido da Diana Chaves; ah, tem muitos padrinhos». Demasiados 'ah' para quem estava no início de carreira. O tempo foi passando e chegámos a 2025/2026 e ao Gil Vicente. Ao grande Gil Vicente, aliás. Ao actual quarto classificado. Já tinha ganho em Braga e, anteontem, em casa, voltou a vencer os guerreiros de Carlos Vicens e, desta vez, com reviravolta no marcador, de 0-1 para 2-1. O Gil (tal como o Estoril) joga muito e merece todos os elogios.
Não se sabe o que o futuro reserva ao Gil, nem sequer a César Peixoto. Para já, tal como Ian Cathro, é uma das sensações da época. Entre outros, Peixoto foi treinado por Mourinho e Jesus. Não basta para chegar ao topo ou para ser considerado 'o novo Mou', até porque isto, como tantos dizem, não é como começa, é como acaba.
A verdade é que o Gil Vicente, à entrada para o último terço da Liga, está apenas atrás dos chamados três grandes. Melhor classificação do Gil: quinto lugar em 1999/2000 e em 2021/2022, respetivamente com Álvaro Magalhães e Ricardo Soares como treinadores. Melhor pontuação: 53 pontos em 1999/2000. Está a 12 jornadas de igualar a melhor classificação de sempre e a 14 pontos da melhor pontuação de sempre. Novo Mou? Não. A César o que é de César.