Ex-árbitro confessa ser acionista de oito clubes: «Não tinham dinheiro, pagavam em ações»
Mais um caso a abalar a arbitragem no país vizinho. Urizar Azpitarte, um dos mais reconhecidos árbitros espanhóis das décadas de 80 e 90, revelou no programa El Chiringuito que foi acionista de oito clubes de futebol enquanto ainda estava no ativo, gerando uma enorme polémica.
«Sou acionista da Real Sociedad e de mais sete clubes em Espanha, porque nós trabalhávamos para todos os clubes», afirmou, explicando que a situação ocorreu no início dos anos 90, durante o processo de transformação dos clubes em SAD.
«Quando veio a reconversão para Sociedades Anónimas, não tinham dinheiro e disseram-me: 'Pagamos-te em ações'», disse, esclarecendo que os pagamentos correspondiam a dívidas contraídas com sua empresa, que prestava serviços para diferentes entidades desportivas.
Questionado sobre se tal teria acontecido já depois de se ter retirado, Azpitarte foi taxativo — «Não, ainda estava [no ativo]» —, antes de defender a legalidade da sua posição: «Eu tinha uma empresa montada em Barcelona e tinha um espaço de 500 metros. Sabem de quem era? Do [presidente do Barcelona, Josep Lluís] Núñez. A mim que me importa que seja do Núñez. (...) Nós éramos uma empresa igual, concorrência dos Correios. Mais baratos e distribuíamos toda a correspondência», justificou.
O antigo juiz insistiu que a sua empresa tinha filiais em várias cidades e que aceitar ações foi a única forma de receber o pagamento pelas faturas em dívida. «Quando vem a reconversão, os clubes dizem-me que não têm dinheiro para me pagar e que o farão em ações. Pois muito bem, pagas-me em ações. Ou queriam que eu lhes perdoasse o valor das faturas?», questionou.
A revelação caiu como uma bomba. «Árbitros no ativo a serem acionistas de um clube... o caso Negreira é uma brincadeira ao pé disto», reagiu o comentador Jota Jordi.
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