Pedro Gonçalves não foi um '9' muito bem-sucedido diante do Famalicão - Foto: IMAGO
Pedro Gonçalves não foi um '9' muito bem-sucedido diante do Famalicão - Foto: IMAGO

Pedro Gonçalves a '9' no Sporting e a lógica das ideias

Às vezes procura-se o caminho mais difícil. Por receio da aposta em jovens, que conhecem pelo menos a posição, adaptam-se outros sem perfil ou conhecimento, apenas experientes

Não sei se Rui Borges vai repetir ou não a aposta. Para já, não tem muitos motivos para tal, já que regressará Luis Suárez após castigo e como ele não há nenhum. E, depois, nenhuma ideia deve ser testada uma única vez. Porque o futebol é tão improvável quanto Daniel Bragança resolver um jogo difícil de cabeça num pontapé de canto.

Ainda assim, a lógica dizia-nos, antes do apito inicial, que ter Pedro Gonçalves como homem mais adiantado não seria a melhor das decisões. Mas qual seria? Na verdade, para esta equação não deve haver resposta certa, apenas a possível: tentar o mal menor. Sem Ioannidis, a solução natural, talvez isso passasse por pôr um míudo por estrear em campo. Contudo, Rui Borges acreditou na inteligência do internacional português para se adaptar. Da equipa para ajudá-lo. Mas foi sempre peixe fora de água.

Luis Suárez é tudo o que o Pedro Gonçalves não é. A sua movimentação é agressiva, a dimensão física muito superior, não se importa de estar pressionado, não tem medo do choque, dos duelos, é explosivo em quase tudo. Tabela, finta, corre, remata. Já Pote joga um pouco pela calada. Pisa leve para passar despercebido. Vai preenchendo os espaços. Aparece nos vazios. Gosta de começar num sítio e acabar noutro, preferencialmente vir da faixa esquerda para o espaço entre linhas no corredor interior. Vigiado de perto pelos centrais, sem o efeito surpresa, sente-se acorrentado, incapaz de ser referência para passes de rotura e cruzamentos, sem rotinas para sair no momento certo para os apoios. O Pedro é bola no pé, às vezes no espaço. Ali, nada disso havia, E, com a sua posição natural ocupada por Maxi Araújo, não se podia refugiar em lado nenhum. Estava exposto e pouco ou nada podia fazer para o seu jogo aparecer. Mesmo com toda a qualidade que tem e ninguém lhe nega.

Não foi nada fácil o jogo para o Sporting, tal como não têm sido os dos rivais. Vitórias no limite, sofridas, com a pressão a apertar cada vez mais. Até heróis improváveis. No campeonato dos grandes, houve deslocações difíceis, ausências de vulto e adversários com qualidade pela frente. Fosse que obstáculo fosse, os três passaram-no e mantêm distâncias. Falta menos um jogo para quem está mais perto da festa, mas também para quem quer estragar a dos rivais e marcar a sua. Num campeonato tão desequilibrado, vencer é, porém, o desfecho previsível, à espera de clássicos e dérbis para as decisões.