Preservar ou retirar o menisco. O que fazer no desportista?
Sempre que um atleta se queixa de dor no joelho, o nome menisco surge quase de imediato. Durante muitos anos, a abordagem parecia simples: operar, remover a parte danificada e regressar, rapidamente, à competição. Hoje, porém, sabemos que esta decisão pode ter consequências que vão muito além do próximo jogo.
O menisco funciona como uma almofada dentro do joelho: absorve impactos, distribui as cargas, estabiliza o joelho e protege a cartilagem. Não é um tecido dispensável, visto ser uma estrutura essencial para a longevidade da articulação. A remoção parcial do menisco pode aliviar a dor a curto prazo, mas aumenta o risco de desgaste precoce, artrose e limitações funcionais futuras.
A evidência científica atual é clara: sempre que possível, o menisco deve ser preservado e reparado. Um menisco preservado torna o joelho mais protegido, com maior probabilidade de manter rendimento elevado durante mais tempo, refletindo-se na longevidade desportiva.
Importa salientar que nem todas as lesões são iguais, existindo roturas que podem ser tratadas sem cirurgia, com plasma rico em plaquetas de alta concentração (super PRP), fisioterapia e gestão das cargas de treino. Outras, pelas características da rotura ou lesões associadas, como por exemplo uma rotura do ligamento cruzado anterior, exigem tratamento cirúrgico. O fundamental é avaliar cada caso individualmente, com exames adequados e uma equipa experiente na gestão desta patologia.
Também é essencial lembrar que a ressonância magnética, apesar de ser o exame de eleição para o diagnóstico, pode revelar alterações meniscais sem relação direta com a dor. Por isso, a decisão terapêutica deve ser orientada pela avaliação clínica, exame físico e impacto funcional e não apenas pela imagem.
Atualmente, a grande mudança não se reflete apenas nas técnicas cirúrgicas, mas sobretudo na mentalidade e conhecimento das equipas médicas, atletas e cirurgiões. Já não basta perguntar «quando é que o jogador regressa?» mas sim «como estará este joelho nos próximos anos?».
É crucial definir critérios objetivos de regresso à competição, porque apressar o retorno aumenta o risco de recidiva e de queixas persistentes.
No desporto profissional, onde cada jogo pesa, o caminho mais rápido é, muitas vezes, o mais tentador. O verdadeiro desafio reside no equilíbrio do desempenho imediato e a longevidade da carreira, especialmente, em atletas jovens.
Preservar o menisco, sempre que possível, é preparar o atleta para o presente, protegendo-o para o futuro!