Patrícia Sampaio: «Quero ser campeã do mundo»
Após ter vivido a temporada de 2025 em grande nível de resultados, onde se incluiu a conquista título de campeã da Europa e o 3.º lugar no Mundial, e manteve a sequência de ter subido sempre ao pódio nas provas (7) que participou desde que foi bronze nos Jogos de Paris-2024, Patrícia Sampaio (-78 kg) regressa, este domingo, à competição no Grand Slam de Paris. Prova que marca o arranque do Circuito Mundial e que ganhou há um ano.
Depois de, em dezembro, ter sido medalha de prata no Grand Slam de Tóquio, a olímpica do Gualdim Pais conversou com A BOLA antes de entrar em prova na capital gaulesa, onde também estarão em ação, este sábado, Miguel Gago (-66 kg), Otari Kvantidze (-73 kg), Maria Siderot (-52 kg), e amanhã Bárbara Timo e Taís Pina (-70 kg).
— Dois meses depois da última competição do Circuito Mundial 2025, no Grand Slam de Tóquio, onde foi prata, como é regressar a Paris, onde ganhou a medalha olímpica [bronze] nos Jogos de 2024 e, há um ano, venceu o Grand Slam francês, talvez a principal prova do circuito? Com que espírito é que vai e o que preparou para este momento?
— Acho que Paris é sempre uma cidade especial. Particularmente depois dos últimos anos, tornou-se mais especial para mim, é onde têm acontecido momentos muito marcantes da minha carreira. Mas penso que vim como vou para qualquer competição: com o pensamento de dar o meu melhor, fazer aquilo que for possível e com muita vontade de competir, como sempre. A preparação também acabou por ser a mesma. Depois da prova no Japão, estive lá quase duas semanas a treinar. Entretanto, em janeiro, também fiz o estágio [internacional] de Mittersill. Portanto, tem sido mais o mesmo que costumo fazer.
- Pensa que vai sentir o peso - ou espera não senti-lo -, de ser a número um do ranking mundial em todas as 14 categorias, entre mulheres e homens, mas sobretudo na sua? É algo que vai ter de gerir ou em que nem sequer pensa?
- Já competi antes como número um do mundo. Sobretudo como principal cabeça de série já realizei mais competições assim. Não creio que seja um fator em que pense muito, a única coisa que altera é na organização do sorteio. Estou como n.º 1, mas está cá o top 10 ou 15 do ranking dos -78 kg. Estão todas presentes e por isso a prova encontra-se muito forte. Acredito que os números não irão interessar assim tanto.
— Desde que termina a época, em dezembro, costuma aproveitar os dois meses sem competição para trabalhar especificamente certas outras. Qual foi a preocupação nessa evolução ou o que é que está a procurar melhorar?
— Fiz muito trabalho físico, mas isso, na verdade, já é costume. E no Japão acabo sempre por conseguir explorar outras técnicas, até por ter uma maior diversidade de parceiras de treino e, muitas vezes, algumas que não conhecemos e acabam por nem sair do país em competições. Assim, dá para explorar outro tipo de técnicas. Estive muito focada nisso: tentar outras soluções, que tenho de estar constantemente a aprender para os novos problemas que se apresentam e, ao mesmo tempo, continuar a aprimorar os meus pontos fortes.
— Está quase a começar o apuramento olímpico para Los Angeles-2028. É sempre uma altura de mudança no judo. Espera, ou já começou a notar, muitas caras novas? Adversárias que não estavam no topo e começa a evoluir?
— Neste momento, sim. Já vejo muita gente a crescer e até há judocas que estão a subir dos -70 kg para os -78 kg. Não só em Grand Slams, mas também em opens europeus, por isso tenho a certeza de que os próximos meses serão de muitas caras novas e surpresas, porque há muita gente que não conseguiu marcar em anos anteriores, mas continuou a trabalhar e, obviamente, há-de dar frutos a toda a gente.
— Que objetivos traçou, por enquanto, para a época?
— Para este ano... bem, não gosto muito de dize-lo em voz alta, normalmente guardo para mim, mas são os mesmos do ano passado: ser campeã da Europa e campeã do mundo.
— Portanto, ser bicampeã da Europa…
— E o que estiver à volta, obviamente que quero ganhar tudo, mas sei que esse é um processo para atingir os objetivos principais.
— Como no ano passado, vai tentar gerir, até porque está muito bem no ranking, não na quantidade, mas a qualidade das provas em que competirá? Estar em grande forma nessas competições?
— Sim. Neste momento não compito muito. Vou fazer uma prova por mês, porque também gosto de manter o ritmo competitivo. Sinto-me bem a competir e, na verdade, é aquilo de que mais gosto. Adoro treinar, mas gosto ainda mais de competir. Acaba por me trazer alguma satisfação ir às competições, por várias razões: para avaliar como estou, muitas vezes para conhecer adversárias novas, pela gestão de peso... São vários os motivos pelos quais vou competir em algumas ocasiões. Mas sabendo que é para tirar lições de cada prova para estar no pico de forma nesses dois principais momentos: o Europeu e o Mundial.
— E como foi a cerimónia da distinção [Comendador da Ordem de Mérito] pelo Presidente da República no Palácio de Belém devido à medalha nos Jogos de Paris-2024?
— Foi muito gira! [risos]. Muito rápida, mas foi gira. É sempre um privilégio e honra ser recebida num local como aquele e pela maior entidade do país. Foi um evento bastante bonito por estarem presentes pessoas importantes para mim [família, treinadores e amigos] e partilhar esses momentos com elas, que estão comigo nos momentos difíceis e depois conseguem estar também nestas cerimónias. É sempre importante.
— Faz parte de uma campanha de um dos seus patrocinadores. Como é sempre que tem de viajar para provas e estágios, estar no aeroporto de Lisboa e surgir uma Patrícia Sampaio em vários anúncios, a aparecer e desaparecer? O que é que sente?
— É fixe porque fiquei bem na foto! [risos]. Não, estou a brincar, mas é perceber que atingi uma dimensão que há uns anos era impensável. Se dissessem à Patrícia de há uns anos que ia estar nesse tipo de sítios e com essa exposição, acho que nunca iria acreditar.
— Era impensável, mas era algo com que sonhava?
— Sonhava com uma medalha olímpica, como referi várias vezes, não com a repercussão que isso poderia ter. Não imaginava que este tipo de coisas pudessem acontecer, mas agora é bastante engraçado receber fotografias disso das pessoas que estão no aeroporto e estão a ver-me. É mesmo muito engraçado.