Estádio do Bessa. FOTO A BOLA
Estádio do Bessa. FOTO A BOLA

A boavistização do lusopédio

'Remate de Letra' é o espaço de opinião semanal de Hugo Vasconcelos, editor

Infelizmente, acho que a solidariedade acabou, porque houve um grupo de clubes que são os 'novos ricos', que têm investidores estrangeiros, que chegam aqui com milhões e milhões, como outros que, ao fim de dois ou três anos, se chatearam, foram embora e deixaram o Boavista da forma que está. Pode ser que a eles lhes aconteça o mesmo

Paulo Lopo, presidente do Estrela da Amadora, após a Assembleia Geral da Liga de ontem

Quando iniciei a carreira, faz em julho 29 anos, ainda se falava da belenensização de clubes — foi tema na crise do Sporting durante os anos 90, voltou a sê-lo quando Vale e Azevedo quase destruiu o Benfica na viragem do século: um clube que parece demasiado grande para cair degradar-se a ponto de, afinal, já não ser demasiado grande e não surpreender que possa afundar-se, como aconteceu com o Belenenses (que foi campeão nacional e só desceu pela primeira vez à segunda divisão em 1982).

Desde ontem temos um novo conceito no lusopédio: a boavistização de clubes. O aviso foi dado por Paulo Lopo, presidente do Estrela da Amadora, depois de seis, em 18, durante a Assembleia Geral da Liga Portugal, terem impedido que as verbas do mecanismo de solidariedade da UEFA chegassem aos clubes da Liga 2, como sempre aconteceu até aqui.

O ataque do presidente do Estrela foi contra investidores estrangeiros que olham apenas para o umbigo, e para o lucro, mas é sinal de problema ainda mais grave: se os 18 não se entendem por causa de migalhas (pelos números da época passada, cada clube da Liga, com este chumbo, encaixará mais 340 mil euros), acham mesmo que vai haver centralização dos direitos TV?