António Silva, central do Benfica - Foto Catarina Morais/Kapta+
António Silva, central do Benfica - Foto Catarina Morais/Kapta+

Benfica e António Silva: margem de manobra diminui, pressão aumenta

Processo de renovação arrasta-se e central entrará no verão no último ano de contrato. Posição da SAD fragilizada para conseguir acordo mais vantajoso

O processo de renovação de António Silva é longo e promete arrastar-se, sem sinais de que central e Benfica estejam totalmente alinhados nas suas intenções.

Em outubro, com a campanha eleitoral no auge, Rui Costa, presidente dos encarnados e na altura recandidato à presidência, pronunciou-se sobre o tema, num debate na televisão do clube e em resposta ao candidato João Diogo Manteigas: «Proposta para António Silva já está em cima da mesa, está salvaguardado.»

A realidade, todavia, não foi ao encontro da expectativa, pois quase quatro meses passaram e António Silva e Benfica não têm renovação à vista e nem sequer parecem estar na mesma página.

O central de 22 anos não tem um papel muito claro na equipa do Benfica, mas terá um plano e esse plano passará por lidar com a proposta de renovação do Benfica mais à frente, o que poderá significar posição de força para o jogador e de fragilidade para a SAD.

No verão, António Silva terá apenas mais um ano de contrato para cumprir, dado que o vínculo em curso termina a 30 de junho de 2027, e também poderá ter uma convocatória para o Mundial no bolso, se Roberto Martínez, selecionador nacional, mantiver a coerência, dado que tem chamado o benfiquista mesmo em momentos de menor fulgor.

Em função destas questões, estará numa posição vantajosa para negociar, ao contrário da SAD, que começará a ficar sem tempo e com margem de manobra reduzida, mais a mais pressionada por exemplos recentes: Grimaldo e Rafa deixaram a Luz sem qualquer compensação financeira para os encarnados, depois de processos de renovação longos e que não conduziram a um entendimento.

António Silva, refira-se igualmente, lida com posição pouco confortável no Benfica, dado que não é indiscutível. Combina jogos e banco dos suplentes com frequência, trocando habitualmente com Tomás Araújo. E nem sempre é chamado à titularidade nos jogos mais importantes: frente ao Real Madrid, a dupla eleita foi Tomás Araújo e Otamendi.

Numa altura em que se desconhece se o argentino aceita um ano mais de Luz, como é vontade do treinador e clube, António Silva não pretende precipitar-se e prefere esperar pelo timing certo.

No passado, quando encheu as medidas da Europa como aposta de Roger Schmidt, adiou a hipótese de deixar a Luz e acabou, de certa forma, por arrepender-se, pois perdeu algum brilho.

Esteve na lista de Newcastle e Juventus, motivou ofertas entre os €25 milhões e os €35 milhões, o próprio central desejava sair (há um ano), mas o Benfica manteve-se irredutível. Agora, poderá ficar com a faca e o queijo na mão, obrigando a SAD a encontrar solução: ou um contrato ao nível dos melhores do plantel ou uma venda por valores muito mais baixos do que aqueles que Newcastle e Juventus puseram na mesa encarnada.