Bruma sofreu, em julho do ano passado, uma rotura completa do tendão de Aquiles esquerdo — Foto: IMAGO
Bruma sofreu, em julho do ano passado, uma rotura completa do tendão de Aquiles esquerdo — Foto: IMAGO

Lesões do tendão de Aquiles, será o fim?

'Mito ou Realidade' é um espaço de opinião de João Espregueira-Mendes (presidente da Sociedade Internacional de Artroscopia, Cirurgia do Joelho e Medicina Desportiva Ortopédica — ISAKOS) e, neste caso, de Tiago Lopes, especialista de medicina física e de reabilitação

As lesões do tendão de Aquiles são, frequentemente, encaradas como um possível ponto final na carreira de atletas, mas a realidade atual da Ortopedia desportiva permite uma visão muito mais otimista. A experiência clínica demonstra que, com diagnóstico precoce e abordagem adequada, é possível garantir a recuperação e o regresso ao desporto de alto rendimento.

A tendinite aguda corresponde a uma lesão recente com uma componente, predominantemente, inflamatória do tendão e da sua bainha, normalmente, provocada por esforço excessivo, traumatismos ou fricção do calçado. A estrutura do tendão está tipicamente íntegra. O rápido diagnóstico, seguido de repouso, adaptação do treino, identificação da causa e tratamento do processo inflamatório, conduz, geralmente, a uma recuperação rápida e eficaz, permitindo o retorno precoce da atividade desportiva.

Por outro lado, a tendinopatia é uma patologia crónica e progressiva, resultante da sobrecarga persistente que ultrapassa a capacidade regenerativa do tendão e tecidos adjacentes. Este quadro, que corresponde a uma lesão cumulativa, evolui, com aumento da área de tecido afetado, e constitui um dos principais fatores de risco para rotura do tendão de Aquiles.

A avaliação rigorosa por um ortopedista é fundamental em qualquer fase da doença, pois o estudo da lesão e a identificação precoce das causas — como carga excessiva de treino, calçado inadequado, alterações anatómicas e do alinhamento do membro inferior — é fundamental para travar a progressão da lesão.

Nas fases iniciais, o prognóstico é favorável e, com intervenção adequada e correção dos fatores mecânicos, é possível, muitas vezes, tratar mantendo a atividade desportiva. Contudo, em estádios mais avançados, o prognóstico torna-se mais próximo do mito, podendo exigir suspensão da atividade e tratamento cirúrgico. Felizmente, dispondo de técnicas cirúrgicas minimamente invasivas e cada vez mais sofisticadas, é possível alcançar excelentes resultados, possibilitando o regresso ao desporto de alta competição.

Em suma, a lesão do tendão de Aquiles já não representa o fim inevitável da carreira de um atleta. Com uma equipa especializada e um plano terapêutico individualizado, será provável transformar um diagnóstico desafiante numa história de superação e regresso ao alto rendimento.