O que Mourinho, FC Porto, City e Inter têm em comum? Todos escorregaram aqui...
Há muito que deixou de ser surpresa: jogar em Bodo tornou-se uma das tarefas mais complicadas do futebol europeu. Desde 2020, o Bodo/Glimt construiu uma fortaleza quase intransponível nas competições europeias e os números impressionam. Em 44 jogos caseiros nas provas europeias, soma 33 vitórias, apenas 2 empates e 9 derrotas — um registo que muitos históricos do continente invejariam.
O frio do norte da Noruega, o relvado sintético e a intensidade da equipa transformaram o Aspmyra Stadion num cenário de pesadelo para gigantes... e que o diga José Mourinho. A noite que correu mundo aconteceu em 2021, quando a Roma, treinada pelo português, foi goleada por 6-1, num resultado histórico que abalou o panorama europeu e colocou, pela primeira vez, o Bodo/Glimt no radar internacional. Mas não foi caso isolado.
Também o FC Porto também saiu derrotado da Noruega, em 2024, por 2-3, na altura, com Vítor Bruno no comando azul e branco. Mais recentemente, outros dois gigantes por lá caíram: o Manchester City (1-3), na penúltima jornada da fase de liga da UEFA Champions League, e o Inter (1-3), na primeira mão do play-off da prova milionária, confirmando que o fenómeno não perdeu força com o passar dos anos. O que começou como surpresa transformou-se em padrão. Celtic, Besiktas (duas vezes), Lazio, Tottenham... ninguém passou em Bodo.
Este domínio europeu em casa acompanha uma transformação profunda no plano interno. Até 2019, o Bodo/Glimt era uma equipa que vivia confortavelmente - ou resignadamente - na metade da tabela da liga norueguesa. Sem grandes ambições, longe dos títulos. A partir de 2020, tudo mudou. Entre 2020 e 2026, conquistou quatro dos seis campeonatos disputados - de resto, foram os primeiros quatro títulos de campeão norueguês da história do clube (2020, 2021, 2023 e 2024) -, assumindo-se como potência dominante no futebol norueguês e presença habitual nas fases adiantadas das competições europeias. Esta época, a escalada atingiu um novo patamar, com a inédita qualificação para a fase final da Liga dos Campeões.
A ascensão foi rápida e ambiciosa. Com um modelo de jogo ofensivo e enorme confiança, o antigo desconhecido tornou-se adversário respeitado. Hoje, os grandes da Europa já não olham para o Bodo/Glimt como uma viagem exótica ao Círculo Polar Ártico, mas como um teste sério. E os números em casa não mentem: quem vai a Bodo raramente sai sorridente.