«Não me parece que o Vinícius seja o coitadinho deste filme»
O antigo futebolista Tote, que já passou tanto pelo Benfica (1999/2000) como pelo Real Madrid, desvalorizou o mais recente episódio polémico envolvendo Vinícius Júnior e Gianluca Prestianni em Lisboa, pedindo «maturidade» para lidar com o que aconteceu no Estádio da Luz.
Em declarações ao programa Despierta San Francisco da Radio MARCA, o ex-jogador comentou a troca de palavras entre o brasileiro e o argentino, assegurando que o caso de racismo não terá consequências por ser algo impossível de provar.
«Intuo que algo se passou, mas isto é tão velho como o futebol», afirmou Tote, relativizando a situação. «A todos nós já disseram barbaridades e pronto, no final não acontece nada. Não concordo com a falta de respeito, mas acho piada qual falta de respeito está na primeira página do catálogo e qual está na oitava. A todos nós já insultaram, envolvendo as nossas mães e as nossas filhas», acrescentou o espanhol.
Tote lembrou ainda que o próprio Vinícius por vezes tapa a boca para falar e que nem todos os jogadores são santos, referindo-se ao momento em que o brasileiro se dirigiu a Nicolás Otamendi. «Imagino que a Nicolás Otamendi não lhe disse o bom central que ele é. Ele também já desenhou coisas com os gestos», comentou, numa alusão ao facto de Otamendi ter apontado para a sua tatuagem de Campeão do Mundo pela Argentina em 2022.
O antigo futebolista insistiu que, embora condene os insultos, é preciso equilíbrio na análise. «Não me parece que o Vinícius seja o coitadinho deste filme. Condeno os insultos, mas parece-me muita confusão para o que aconteceu», sublinhou. Quanto à possibilidade de os jogadores abandonarem o campo em resposta a insultos, Tote foi categórico: «Não concordo com isso. Há muita gente que faz quilómetros, que gasta dinheiro para ver um jogo. Não se pode sair do campo. É preciso jogar e demonstrar, como ele fez com o golaço que marcou.»
Para concluir, Tote defendeu que este tipo de comportamento é inerente ao futebol e que é necessária maturidade para o enfrentar. «Isto não se vai conseguir mudar. O futebol é paixão e muitas vezes dizem-se coisas que não se sentem. Tive colegas de cor em quase todas as equipas e é preciso ter maturidade. Muitas vezes o adversário fá-lo para te tirar do jogo, não por racismo», explicou, finalizando: «Quando se entra nesse jogo, pode acontecer-te o que lhe aconteceu a ele também.»