Prestianni no centro da polémica
Prestianni no centro da polémica

Sindicato dos Jogadores: «Tolerância zero ao racismo, doa a quem doer...»

Joaquim Evangelista, Presidente, reagiu ao alegado caso de racismo de Prestianni a Vinícius Júnior, comentando a possibilidade de proibir os jogadores de taparem a boca

O presidente do Sindicato dos Jogadores defendeu esta quinta-feira «tolerância zero» perante os alegados insultos racistas no jogo d Champions entre Benfica e Real Madrid pedindo uma investigação célere que não «diabolize a vítima». Em declarações à agência Lusa, Joaquim Evangelista reagiu ao incidente que envolveu os jogadores Vinícius Júnior e Prestianni, sublinhando que o futebol deve ser implacável no combate a estes fenómenos.

«A posição do sindicato é muito clara: tolerância zero ao racismo, doa a quem doer, sejam jogadores, treinadores, árbitros ou dirigentes», afirmou o dirigente, destacando que o desporto não pode ser um «escape» para extremismos políticos e sociais. Para Evangelista, sem outros meios de prova, estamos perante «uma afirmação contra a outra», defendendo o direito de um jogador relatar o que sentiu e o direito do outro à presunção de inocência.

«O que podemos exigir é uma investigação célere, responsável e justa, que apure o que se passou», frisou, recusando narrativas que tentem desvalorizar o acontecimento com base na forma como a vítima se comporta em campo. Questionado sobre a eficácia das medidas disciplinares, o dirigente considera que estas são eficazes e têm um efeito dissuasor, elogiando a rapidez da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD) na abertura do inquérito.

No entanto, ressalva, as sanções devem ser acompanhadas por um trabalho paralelo de educação e cidadania, admitindo que o fenómeno é mais expressivo nos escalões de formação e que o trabalho feito pelas instituições, embora tenha dado «passos gigantes», ainda não é suficiente.

Sobre a possibilidade de proibir os jogadores de taparem a boca com a mão ou a camisola para evitar a leitura labial, Evangelista mostrou-se disponível para a discussão, mas reconheceu a dificuldade de legislar sobre «reflexos naturais» e automatismos dos atletas durante a competição. O dirigente concluiu que, apesar do contexto social complexo, os jogadores profissionais têm hoje maior respeito mútuo e «mais mundo», sendo muitas vezes os primeiros a mobilizarem-se contra a intolerância.

Evangelista admitiu ainda que existem denúncias pontuais entre jogadores, tanto de racismo como de falsas acusações, mas considera que, no futebol profissional, tem havido uma diminuição desses episódios e maior respeito mútuo. Para o presidente do Sindicato, mais do que agravar penas, é essencial reforçar a formação e a educação cívica. «Não podemos desvalorizar nem aceitar narrativas que minimizem estes acontecimentos. O desporto, pelo impacto que tem, deve ter ainda menos tolerância», concluiu.