Foto: Elise Christie / Instagram
Foto: Elise Christie / Instagram

Drama de ex-atleta olímpica: da entrega de pizas ao OnlyFans para sobreviver

Antiga esperança da Grã-Bretanha relata dificuldades que surgiram com o final de carreira

Elise Christie, outrora uma das maiores estrelas da patinagem de velocidade em pista curta da Grã-Bretanha, revelou as dificuldades financeiras que enfrentou após o fim da carreira, que a levaram a trabalhar numa pizaria e a criar uma conta na plataforma OnlyFans para conseguir pagar as contas.

A atleta escocesa, de 35 anos, que se retirou da competição aos 31, viveu uma carreira marcada por altos e baixos, com desilusões nos momentos mais cruciais. Nos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, em 2014, foi desqualificada de três provas. Quatro anos depois, em PyeongChang, o cenário repetiu-se com quedas e mais duas desqualificações, numa altura em que era uma das principais esperanças britânicas a uma medalha de ouro.

Após os fracassos olímpicos, Christie foi alvo de uma onda de abuso online, que se somou à sua frustração profissional. A situação financeira agravou-se quando o financiamento à sua modalidade foi cortado depois de 2018. Na tentativa de se qualificar para os Jogos de Pequim 2022, viu-se obrigada a trabalhar na Pizza Hut, onde entregava pizas para sustentar os seus treinos. Uma lesão no tornozelo, no entanto, acabou por ditar o fim prematuro da carreira.

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Já retirada, e para fazer face às dificuldades económicas, Christie recorreu à plataforma de conteúdo adulto OnlyFans. Em declarações ao The Telegraph, a ex-atleta explicou a sua decisão: «Pensei muito no assunto. No final, decidi que ser criticada por isto não era nada comparado com o ser criticada pela minha patinagem, algo a que dediquei a minha vida e no qual, aparentemente, falhei».

Christie revelou que cada 700 subscritores na plataforma lhe rendem cerca de 5.000 libras (5750€ à taxa de câmbio atual), o mesmo valor que recebeu pela medalha de ouro ganha no Campeonato do Mundo de 2017. «Estou a tentar chegar a um ponto em que não preciso de o fazer, mas financeiramente não é fácil», admitiu, acrescentando que, embora os amigos mais próximos a tenham apoiado, algumas pessoas deixaram de lhe falar devido à decisão de criar conta no OnlyFans.

A vida de Elise Christie foi também marcada por dramas pessoais. Diagnosticada com perturbação bipolar, a ex-atleta já falou publicamente sobre automutilação e, na sua biografia de 2021, relatou ter sido drogada e violada em Nottingham após os Jogos de Vancouver em 2010. Em 2012, sobreviveu a um incêndio em casa que a deixou com os pulmões gravemente afetados, obrigando-a a passar um dia numa unidade de reanimação.

A transição para a vida pós-competição também foi difícil. «Acabei por não ter nada, porque perdi a minha carreira e saí sem dinheiro», confessou num programa da BBC. «Tinha três empregos. Literalmente, acabava um às três da manhã, dormia uma hora no carro e ia para outro. Mal dormia, não comia. Parecia acabada para a vida».

Christie agradece a um período de reabilitação por a ter ajudado a encontrar a estabilidade que procurava. Mãe de uma filha de dois anos, Millie, a ex-patinadora procura agora olhar para o futuro e deixar para trás um passado de angústia.