O Famalicão, o clássico, resposta a Farioli e as declarações de Mourinho sobre arbitragens, tudo o que disse Rui Borges
Rui Borges parte para a 22.ª jornada com problemas no ataque, sem o castigado Luis Suárez. E também com os lesionados Quenda, Debast e agora Kochorashvili mas com Ioannidis e Geny em dúvida mas a poderem ser chamados. Na sala de imprensa da Academia Cristiano Ronaldo, em Alcochete, o treinador do Sporting fez a antevisão do jogo com o Famalicão (este domingo em Alvalade às 20h30) mas falou também sobre o clássico da passada segunda-feira e até respondeu a Farioli…
Eis tudo o que disse o treinador do Sporting.
— Que cara espera ver amanhã no famalicão?
— Espero uma equipa igual a si própria, boa, que gosta de assumir o jogo e que tem a sua própria ideia independentemente do adversário. Adapta-se bem ao momento e a cada dificuldade provocada pelo adversário. Equipa muito competitiva, intensa e que faz muitas faltas… Nota-se bem essa intensidade. Em organização defensiva é muito competente e tem muitas ações nos corredores, de um para um, cruza muito à procura de referências. É uma das melhores equipas do campeonato.
— Sem Suárez e Ioannidis, como fará a gestão na frente?
— O Fotis [Ioannidis] está em dúvida. Vamos ver se pode ou não dar o contributo. De certeza que entraremos com 11 jogadores e vamos tentar levar de vencida o Famalicão, num jogo que acredito que seja muito competitivo.
— Quem vai jogar a ponta de lança?
— Muito sinceramente ainda não sei.
— Geny Catamo já pode ir a jogo?
— Também está em dúvida ainda.
— Pode jogar Faye na frente?
— Temos várias soluções, qualquer jogador da linha avançada pode ser ponta de lança e houve vários que treinaram.
— Rafael Nel?
— Está convocado. Tem treinado connosco, tem andado mais nos nossos jogos e tem feito parte do grupo de jogadores disponíveis para jogo. É mais um que está para jogar e treinou na sua posição.
— Está mais alguém em dúvida?
— Kochorashvili também está fora do jogo. E o Debast ainda também.
— Está este Sporting refrém de Luis Suárez, que cumpre castigo?
— É natural que se possa pensar dessa forma. Ele tem sido muito importante nos golos mas consegue-os devido ao grande coletivo que temos, não apenas devido ao individual. É uma peça importante e acabará sempre por fazer falta mas só faz falta quem está! Vou focar-me nos 11 que vou meter em campo e nos que colocarei no banco para sermos competentes e não fugirmos ao que temos sido: manter uma boa qualidade de jogo, dinâmica muito própria para ganharmos a um bom Famalicão.
— Quando volta Geovany Quenda?
— Não sei ao certo mas acredito que seja em poucas semanas. Seria mais uma solução para esta reta final, um jogador com muita qualidade que nos vai ajudar.
O clássico e arbitragens
— Voltemos ao clássico com o FC Porto: como vê o facto de só se falar das polémicas?
— Devemos valorizar muito mais os jogadores, as equipas, o nosso jogo, o futebol... Independentemente de não ter sido um grande jogo na parte dos golos. Mas igualmente concordo que não se deve relativizar algumas coisas que se passaram... Parece que estamos a voltar ao século passado mas estamos em 2026 e não se deve relativizar isso. Mas não vou entrar nessa luta, estou muito mais focado em tentar valorizar o futebol, os jogadores. Temos de valorizar quem pratica o futebol e quem faz com que seja um desporto tão espetacular.
— O Sporting não venceu o clássico por demérito, podia ter arriscado mais?
— São duas grandes equipas, duas equipas bastante competentes. Algumas coisas poderíamos ter feito de forma diferente mas depois de ver... Acho que fizemos um jogo bastante competente, jogámos contra a melhor defesa [do campeonato]. Como dizia e penso que o mister Farioli disse isso no fim do jogo: pôr onze jogadores a defender a área… devia estar a referir-se ao FC Porto. E daí se nota ser a melhor defesa. Podíamos fazer mais? Podíamos! Mas depois de ver as imagens podemos ver sempre as coisas de forma diferente. Mas jamais por falta de ambição.
— O Sporting marcou no Dragão na compensação e tem resolvido os últimos jogos nesse período. Que mensagem tem passado aos jogadores para resolverem as coisas mais cedo?
— Queríamos todos marcar mais cedo mas às vezes não conseguimos. Há duas equipas, 11 jogadores de cada lado, bons treinadores... Mas a ambição e a vontade de vencer é que nos levam a ganhar a qualquer minuto. Isso demonstra bem o carácter e a personalidade da equipa. Queremos fazer sempre melhor mas se for sempre aos 90+6’ não há problema. Queremos é ganhar. Percebo a parte cardíaca da malta, também a minha [risos], mas por isso é que o futebol é tão espetacular. As emoções que se criam à volta dum jogo são enormes e não é para todos aguentá-las. O espírito da equipa está bem vincado e eles são ambiciosos e uns campeões de nascença.
— No final do jogo com o Santa Clara, José Mourinho disse que houve outro grande que nos Açores teve a mesma sorte com o relvado mas mais sorte com arbitragem? Sente tentação para responder?
— Não vou falar dos árbitros. O relvado até estava melhor ontem [sexta-feira] do que no nosso jogo. Mas faz parte do jogo. Em relação à arbitragem nem vou comentar. Mas deixe-me enaltecer a arbitragem do jogo com o FC Porto: para mim, desde que cheguei ao Sporting, foi a melhor que tivemos em jogos oficiais!
Elogio a Trincão
—Trincão Também pode jogar a ponta de lança?
— Também pode jogar ali, qualquer jogador da frente pode jogar a avançado. É o que temos e vamos à luta, vamos ser competentes e vamos ganhar contra uma grande equipa, vamos fazer tudo para ganhar.
— Por que tem ele saído da posição habitual nos últimos jogos?
— É dos jogadores que mais tem dado em prol da equipa. Ser treinador de fora é fácil. No Dragão, o Trincão foi sacrificado a jogar à esquerda porque o Pote [Pedro Gonçalves] vem de lesão e fisicamente não estava preparado para jogar a extremo, a defender. Claro que o Trincão acabou por ser sacrificado, mas já jogou à esquerda, por dentro... Está comprometido com a equipa e com o que o treinador pede em prol do coletivo. Contra o FC Porto, os extremos tinham de ter compromisso nas diagonais dos laterais adversários. Se calhar daqui a um mês o Pote já estará preparado, atualmente se calhar não.
— Contente por voltar a ter intensa luta por um lugar entre Morita e João Simões?
— É uma boa luta. Depois é um bocadinho o trabalho do treinador perceber o momento de cada um. O Simões fez dois ou três jogos em que não esteve no seu melhor e o Morita cresceu. O Daniel Bragança também está a melhorar e foi importante com o FC Porto, empatámos com ele dentro de campo. São jogadores que nos dão várias soluções e isso dá-me dores de cabeça... Mas prefiro assim.
— Qual deles vai jogar?
— Nunca disse quem joga e não é desta que vou dizer.
— O Benfica já venceu, olha agora também para trás?
— Olho para a frente. Estou em 2.º, quero ser 1.º! O único pensamento é esse.
A saída de Matheus Reis
— O regresso de Nuno Santos teve influência para a saída de Matheus Reis?
— Não teve nada a ver. Por tudo o que deu ao clube e ao grupo, por ser um dos capitães, pela mentalidade diária de ligar toda a gente, o Matheus mereceu nesta fase da sua carreira tomar a decisão de perceber o que era melhor para ele, independentemente do que o treinador ou a estrutura entendiam. Era um jogador importante para nós e jamais deixaria de ser. Era muito importante no grupo, deu-nos muito nestes últimos meses, principalmente com tantas lesões. Deu sempre o máximo em prol da equipa e pela pessoa que é merecia tomar essa decisão. Foi boa proposta para ele, numa perspetiva muito boa para o futuro. E mereceu tomar essa decisão independentemente de o treinador dizer quero-te até final da época. Por tudo o que deu ao Sporting merecia esse respeito. Fico triste, por um lado, porque era importante no dia a dia, mas feliz por outro, porque é o futuro dele que está em causa e tem de olhar para isso. O maior respeito que poderíamos ter por ele era deixá-lo decidir a melhor coisa para o futuro e para a sua vida.
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